Embrapa realiza testes com cereal que pode substituir o trigo na indústria de biscoitos

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Triticale é aprovado para uso na alimentação humana, podendo substituir o trigo em biscoitos.

O triticale, um híbrido de trigo e centeio, recebeu aprovação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para ser utilizado na composição de produtos alimentícios. A pesquisa realizada em parceria com a Vilma Alimentos, localizada em Minas Gerais, demonstrou a possibilidade de substituir a farinha de trigo por farinha de triticale, especialmente em biscoitos.

De acordo com especialistas, a indústria de biscoitos se destaca como um dos principais mercados para o triticale, especialmente na região do Cerrado. A pesquisadora da Embrapa Trigo, Jane Machado, afirma que o triticale proporciona a crocância e firmeza necessárias, permitindo a redução de aditivos químicos, o que pode beneficiar a qualidade dos produtos. Além disso, os grãos, tanto inteiros quanto moídos, têm potencial de uso em cereais matinais e produtos dietéticos.

Desenvolvido por meio de melhoramento genético, o triticale combina as qualidades do trigo com a resistência do centeio. Os testes realizados pela Vilma Alimentos avaliaram 11 produtos, dos quais em seis foi possível utilizar a farinha de triticale, e em dois casos, a substituição foi total, sem comprometer a qualidade. Segundo Sérgio Gonçalves, diretor técnico da empresa, isso abre novas possibilidades para a indústria alimentícia.

A pesquisa também revelou que a farinha de triticale pode ser utilizada em diversas aplicações. Na produção de biscoitos moldados, a substituição pode chegar a 100%, mantendo características de expansão e qualidade. Para a panificação, uma mistura de 50% de trigo e 50% de triticale é recomendada, especialmente em pães de baixo crescimento.

Embora os testes práticos para a produção industrial sejam recentes, o triticale foi introduzido nas lavouras brasileiras na década de 1980. Desde então, a cultura tem sido utilizada principalmente no sul do Brasil, tanto como forragem para a agropecuária quanto como ração para suínos e aves. A primeira variedade brasileira, chamada BRS Minotauro, foi lançada em 2005.

Atualmente, há 24 cultivares de triticale registradas no Brasil, com usos variados. Em 2024, uma carga de 20 toneladas da cultivar BRS Saturno foi enviada do Rio Grande do Sul para avaliação no Cerrado Mineiro. Resultados iniciais indicaram que, na panificação, a farinha de triticale apresenta uma cor mais escura e menor força de glúten, o que requer mesclas com farinha de trigo. A planta já se mostrou uma alternativa viável para a fabricação de biscoitos e massas.

O cultivo de triticale no Brasil apresenta-se como uma alternativa importante para a indústria nacional, visto que o país enfrenta desafios na produção de trigo. No Cerrado, a produtividade média do triticale varia de três a quatro toneladas por hectare em sistemas irrigados, mas em Carandaí, os resultados superaram as expectativas, com rendimentos acima de seis toneladas por hectare.

Além de sua produtividade, o triticale possui boa tolerância à seca, o que o torna uma opção viável em solos ácidos e arenosos. A destinação do triticale para a alimentação humana tem crescido, impulsionada pela popularidade dos alimentos funcionais, com os grãos sendo cada vez mais utilizados na indústria de pães e biscoitos.

Ainda que o cultivo de triticale no Cerrado não esteja refletido nas estatísticas oficiais, a situação pode mudar com a introdução de novas cultivares e o crescente interesse por parte da indústria alimentícia.

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