Empresária revela que governo Trump ignorava importância do mel brasileiro para os Estados Unidos

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Brasil é o principal fornecedor de mel orgânico para os EUA, com 83% das importações provenientes do país.

O mel brasileiro tem se destacado no mercado americano, com 83% do mel orgânico importado pelos EUA sendo originário do Brasil. Quando se considera o mel convencional, esse percentual é de 75%. Essa predominância levanta questões sobre a necessidade de proteção do setor diante de novas tarifas propostas pelo governo americano.

A empresária Joelma Lambertucci de Brito, que atua há 35 anos no mercado de mel e própolis, está engajada em um trabalho de lobby para garantir que o mel brasileiro seja incluído na lista de isenções das novas tarifas. Em breve, ela participará de uma audiência pública em Washington para defender o produto nacional.

Durante reuniões com o Departamento de Agricultura dos EUA e o Escritório de Comércio, ficou evidente que a falta de conhecimento sobre a importância do mel brasileiro para o mercado americano é um desafio. Brito destacou que muitos representantes americanos não compreendem a relevância do produto e costumam focar apenas na marca, sem considerar o país de origem.

O desconhecimento do setor e do governo brasileiros sobre a importância do mel no mercado americano é um dos principais obstáculos enfrentados. Brito enfatiza que, apesar de ser o maior fornecedor, é fundamental promover o mel brasileiro para que sua relevância seja reconhecida.

Enquanto o setor se mobiliza para reverter as medidas tarifárias, importadores de mel americanos e a Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel) também se unirão para defender o produto na audiência. A estratégia inclui demonstrar a magnitude das importações de mel pelos EUA e outros aspectos relevantes.

  • Ausência de concorrência no mel orgânico: A apicultura americana foca na polinização e no mel convencional, enquanto o Brasil possui condições ideais para a produção de mel orgânico, com abelhas africanizadas que não necessitam de antibióticos.
  • Impacto nos consumidores: A implementação de tarifas pode resultar em aumento de preços e até falta de mel orgânico nas prateleiras americanas, uma vez que a produção interna não é suficiente para atender à demanda.
  • Dificuldade de substituição: A transição de áreas de produção convencional para orgânica leva, no mínimo, um ano, o que inviabiliza a substituição rápida do mel brasileiro por outros países.
  • Perda de empregos nos EUA: Importadores americanos argumentarão que as tarifas podem resultar em queda de faturamento e demissões nas empresas que dependem do mel brasileiro.

Mais sobre a audiência:

Setor tenta evitar novo prejuízo

O setor de mel brasileiro tem enfrentado desafios significativos devido às tarifas impostas pelo governo Trump. Os produtores do Piauí, que são os maiores exportadores do produto, têm sido especialmente afetados, com 85% do mel exportado para os EUA em 2024.

As sobretaxas de 50% em 2025 resultaram em cancelamentos de vendas e perdas financeiras para milhares de apicultores, impactando a renda de mais de 40 mil famílias no estado. A expectativa agora é evitar novos prejuízos e garantir a isenção das tarifas.

Brito expressou otimismo em relação à possibilidade de conseguir a isenção, mas também ressaltou a importância de continuar o trabalho de lobby em Washington para fortalecer o apoio ao mel brasileiro no futuro.

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