Empresas buscam aumentar investimentos em IA, mas apenas 40% implementaram casos de uso, aponta Bain
Empresas brasileiras aumentam investimentos em inteligência artificial, apesar de desafios na escalabilidade.
As empresas brasileiras estão se preparando para expandir seus investimentos em inteligência artificial (IA), mesmo enfrentando dificuldades em transformar essa tecnologia em resultados financeiros consistentes. Um levantamento recente indica que 98% das organizações planejam aumentar seus orçamentos para IA no próximo ciclo, embora apenas cerca de 40% tenham conseguido implementar pelo menos um caso de uso em escala.
A pesquisa revela que, apesar do crescimento na adoção de IA, com 95% das empresas utilizando a tecnologia em algum estágio, a implementação varia desde experimentos e projetos-piloto até aplicações totalmente integradas nas operações. O aumento de 21 pontos percentuais em relação a 2024 demonstra um avanço significativo, mas também evidencia a necessidade de superar desafios na transformação digital.
Em uma análise mais profunda, o sócio e líder de Data & AI da Bain & Company na América do Sul destaca que a disposição para investir em IA pode progredir mais rapidamente do que a capacidade das empresas de gerar valor a partir dessa tecnologia. Ele ressalta que integrar sistemas, preparar equipes e modificar processos requer tempo e dedicação, e que o entusiasmo inicial pode levar a investimentos prematuros.
A pesquisa também aponta que 62% das empresas reportam impacto financeiro direto de suas iniciativas em IA. No entanto, essa porcentagem não implica que todas tenham conseguido escalar suas aplicações com sucesso. O contraste entre as empresas que obtiveram resultados financeiros e aquelas que escalaram suas aplicações é um dos principais desafios enfrentados pelos líderes de tecnologia.
Entre as empresas que identificaram impacto financeiro, a redução de custos é a vantagem mais frequentemente mencionada, acompanhada por ganhos de receita. Contudo, a pesquisa não estabelece uma taxa média de retorno sobre o investimento, o que torna difícil comparar os benefícios entre as organizações. Apesar disso, 91% das empresas acreditam que suas iniciativas de IA atenderam ou superaram as expectativas.
O executivo enfatiza que a satisfação com os projetos não deve ser confundida com resultados financeiros concretos. A mensuração adequada exige considerar o desempenho anterior à implementação, os benefícios alcançados e os custos relacionados à integração e operação. O desafio é ainda mais evidente em projetos que visam aumentar a produtividade, que é a principal motivação para 56% das empresas pesquisadas.
Além da produtividade, outros fatores que impulsionam os investimentos em IA incluem o aumento das vendas e a melhoria da eficiência em processos não diretamente relacionados ao trabalho das equipes. Para maximizar os benefícios, é crucial que as organizações concentrem recursos em problemas relevantes e estabeleçam metas claras.
A pesquisa também revela uma mudança significativa na utilização da IA pelas empresas brasileiras. As interfaces tradicionais, como chatbots, estão perdendo espaço, enquanto aplicações voltadas para operações e processos corporativos estão em ascensão. O uso da tecnologia em áreas administrativas e de operações cresceu consideravelmente, refletindo uma tendência de adoção mais integrada.
Entretanto, a integração de diferentes aplicações traz complexidade adicional aos projetos. Uma ferramenta que opera de forma isolada pode encontrar dificuldades ao interagir com sistemas corporativos e regras internas. A capacidade de integrar informações é um dos principais desafios para a expansão da IA, com 29% das empresas citando preocupações com segurança e privacidade de dados como obstáculos.
À medida que as empresas avançam na adoção de IA, a estrutura de liderança dos projetos também está se transformando. Atualmente, 62% dos programas são liderados diretamente pelo CEO ou por executivos que se reportam a ele, sinalizando a crescente importância da tecnologia nas decisões corporativas. Essa mudança representa uma ampliação das responsabilidades do diretor de tecnologia da informação, que agora precisa alinhar decisões técnicas aos objetivos financeiros e operacionais da organização.
Com a adoção de IA se tornando mais comum, a expectativa é que os indicadores de maturidade ganhem importância em 2027. O foco não será apenas na quantidade de empresas que utilizam a tecnologia, mas também em identificar aquelas que conseguiram incorporá-la de maneira eficaz em seus processos e manter resultados mensuráveis ao longo do tempo.