Empresas enfrentam dificuldades na conversão de resultados com o uso de IA; conheça os motivos

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A falta de estratégia na gestão limita o avanço da inteligência artificial nas empresas.

A escassez de visão estratégica por parte da alta gestão e processos internos engessados são fatores que restringem a produtividade nas organizações, segundo especialistas em tecnologia.

O impacto econômico da inteligência artificial (IA) nas empresas está diretamente relacionado à necessidade de reformulações estruturais, qualificação da mão de obra e uma governança eficaz. A ausência de um aumento significativo na produtividade é vista como uma questão de tempo, que exige amadurecimento e mudanças nos comportamentos e processos internos das empresas.

Um especialista aponta que os principais erros cometidos pelas companhias na adoção de sistemas com maior autonomia são três: permitir que a implementação da tecnologia ocorra de baixo para cima, sem que a liderança desenvolva o hábito de utilizá-la; inserir ferramentas de IA nos fluxos de trabalho existentes sem modificar processos anteriores, perpetuando ineficiências; e a falta de uma governança clara que minimize riscos relacionados à propriedade intelectual, segurança da informação e falhas em decisões automatizadas.

A escassez de profissionais qualificados para planejar e operar a tecnologia também se apresenta como um desafio significativo. Estima-se que mais de 90% das empresas enfrentarão uma falta crítica de talentos em IA até o final de 2026. Nos Estados Unidos, o número de trabalhadores em funções que exigem fluência em tecnologia deve saltar de cerca de 1 milhão em 2023 para 7 milhões em 2025.

Apesar do ceticismo do mercado financeiro em relação ao retorno imediato, as grandes empresas de tecnologia continuam a investir pesadamente em infraestrutura de IA. O setor de desenvolvimento de software já demonstra um aumento expressivo de produtividade, com ajustes nos fluxos de trabalho que permitem que grupos de agentes de IA escrevam milhares de linhas de código por hora sob a supervisão de programadores.

A incerteza jurídica sobre propriedade intelectual e responsabilidade civil também contribui para uma implementação mais cautelosa das tecnologias. O avanço do Marco da IA no Congresso Nacional pode oferecer um respaldo normativo ao mercado brasileiro. A proposta principal já foi aprovada pelo Senado e está em análise na Câmara, mas o adiamento da votação final para o período pós-eleitoral de 2026 coloca o país em um limbo normativo, onde a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) atua como reguladora de fato.

A governança de dados, que abrange diretrizes e práticas para garantir a segurança, privacidade e qualidade das informações corporativas, é vista como um fator crucial para acelerar a produtividade. Isso porque evita problemas que podem comprometer a confiança na tecnologia e interromper a transformação digital.

Conforme destacado, a tecnologia frequentemente chega antes que as empresas e as pessoas estejam preparadas para aproveitar todo o seu potencial, e o mesmo se aplica à regulação.

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