Enamed Revela que 4 em Cada 10 Estudantes de Medicina de Instituições Privadas Não Atingiram Proficiência Básica
Avaliação do MEC expõe desigualdade na formação médica no Brasil e abre debate sobre qualidade do ensino
Os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) em janeiro de 2026, revelaram que quatro em cada dez alunos de medicina formandos em instituições privadas com fins lucrativos não atingiram a proficiência mínima esperada no exame, que avalia a qualidade da formação médica no Brasil.
O Enamed foi criado em 2025 como uma modalidade específica do Enade para estudantes do curso de medicina, com a finalidade de avaliar competências teóricas e praticas. Especialistas em educação médica avaliam que o resultado do Enamed evidencia um problema estrutural no modelo de expansão dos cursos de medicina no país, sobretudo no setor privado. Segundo eles, a abertura acelerada de vagas, muitas vezes sem a devida estrutura hospitalar, corpo docente qualificado e campos de prática adequados, compromete a formação dos futuros profissionais e pode impactar diretamente a qualidade do atendimento prestado à população.
O Ministério da Educação informou que os dados do Enamed servirão como instrumento de regulação e supervisão, podendo embasar desde planos de melhoria obrigatórios até processos de reavaliação de cursos com desempenho insatisfatório. A pasta também estuda vincular os resultados do exame a critérios mais rigorosos para autorização e renovação de funcionamento das graduações em medicina.
Entidades médicas, por sua vez, defendem que a avaliação seja utilizada como política permanente de controle de qualidade, associada a investimentos na formação prática e ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) como campo de aprendizado. Para essas organizações, garantir uma formação sólida é condição essencial para a segurança dos pacientes e para a credibilidade da profissão médica no Brasil.
Com isso, o Enamed passa a ocupar papel central no debate sobre o futuro do ensino médico, ao expor desigualdades, apontar fragilidades e pressionar o poder público e as instituições de ensino a adotarem medidas efetivas para elevar o padrão da formação médica no país.
Foto: Flavio Lo Scalzo/Reuters
