Especialista alerta para riscos de aplicativos que simulam compras em troca de dopamina
Aplicativos de dopamina oferecem prazer instantâneo sem entrega real de produtos.
Quem nunca se sentiu tentado a pedir comida ao final de um dia cansativo? Essa prática vai além da simples conveniência de evitar a cozinha. O ato de fazer pedidos online, seja de comida ou de produtos, ativa a liberação de dopamina no cérebro, gerando uma sensação de prazer.
Na Coreia do Sul, surgiu um dos primeiros aplicativos desse tipo, chamado Food Never Comes. Ele permite que os usuários escolham entre uma variedade de pratos de diferentes países, mas a comida nunca chega. Esse conceito se espalhou, com outros aplicativos semelhantes sendo desenvolvidos em diferentes partes do mundo, como o Dopamine Shop, que apresenta uma gama de produtos fictícios.
Especialistas em comportamento do consumidor observam que esses aplicativos podem se tornar cada vez mais populares globalmente. A dopamina, um neurotransmissor associado ao prazer, desempenha um papel fundamental nos sistemas de recompensa do cérebro, incentivando a repetição de comportamentos que são percebidos como benéficos.
Embora a dopamina seja liberada em resposta a atividades prazerosas, como comer chocolate ou ter relações sexuais, ela também pode ser ativada por comportamentos prejudiciais. O mesmo sistema que nos faz sentir bem ao comprar pode nos levar a desenvolver vícios, como jogos de azar, onde a expectativa de ganhar gera uma sensação semelhante à recompensa.
Pesquisas indicam que a antecipação de uma recompensa, mesmo que não se concretize, pode ser suficiente para ativar esses sistemas de recompensa. Isso explica a popularidade dos aplicativos de dopamina, que permitem que os usuários vivenciem a expectativa e a escolha, sem a necessidade de uma entrega real.
Contudo, essa ativação da dopamina pode levar a comportamentos compulsivos. Estudos mostram que pessoas expostas a jogos de azar sem recompensas podem acabar desenvolvendo vícios em apostas. O mesmo fenômeno foi observado com o uso de cigarros eletrônicos, que podem servir como uma porta de entrada para o tabagismo convencional.
Esses aplicativos também alimentam algoritmos de publicidade, personalizando a experiência do usuário com base em suas preferências, mesmo que não realizem compras. Para aqueles que se preocupam com privacidade, é importante ressaltar que a experiência de navegação pode ser satisfatória sem a necessidade de efetuar compras.
