Estudo aponta que ausência de estratégia para IA pode comprometer US$ 143 bilhões em receita
Adoção de inteligência artificial enfrenta desafios em setores profissionais
A adoção da inteligência artificial (IA) avança rapidamente entre profissionais das áreas jurídica, tributária, de auditoria e compliance. No entanto, a capacidade das organizações de transformar esse uso em resultados concretos ainda está aquém das expectativas.
Um estudo realizado com 1.800 profissionais em diferentes mercados revela uma crescente distância entre os planos corporativos para a IA e sua aplicação efetiva no cotidiano das empresas. Essa lacuna já começa a gerar impactos financeiros, operacionais e de retenção de talentos, com até US$ 143 bilhões em receita de clientes sob risco apenas nos setores jurídico e contábil dos Estados Unidos.
De acordo com a pesquisa, 74% dos profissionais utilizam ferramentas de inteligência artificial semanalmente. Apesar disso, 91% acreditam que suas organizações ainda não exploram todo o potencial da tecnologia.
A situação evidencia uma divisão clara entre empresas que conseguem operacionalizar a IA e aquelas que enfrentam dificuldades. Escritórios que estão adotando a IA estão avançando mais rapidamente, enquanto os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro. Fechar essa lacuna de execução é um imperativo de negócio para os escritórios profissionais.
O relatório destaca que a execução continua sendo um dos principais desafios. Entre os entrevistados, 35% afirmam que as metas relacionadas à IA não se refletem nas operações diárias, enquanto cerca de um em cada cinco diz que sua organização ainda não possui uma estratégia clara para a tecnologia.
Um dos efeitos desse descompasso é o aumento do uso de ferramentas não autorizadas pelas empresas. Um terço dos advogados, contadores e profissionais de compliance recorre a soluções de IA sem aprovação corporativa, criando riscos difíceis de monitorar.
A situação é ainda mais evidente entre os profissionais que percebem que suas organizações avançam lentamente na adoção da tecnologia: 41% utilizam ferramentas não homologadas. Ao mesmo tempo, 96% defendem que soluções de IA devem proteger informações confidenciais, 94% consideram essencial o uso de conteúdo confiável e verificado, e 90% afirmam que os resultados precisam ser transparentes e passíveis de explicação. Apesar dessas exigências, 41% relatam não ter acesso a ferramentas profissionais que atendam a esses critérios.
A pesquisa também aponta impactos crescentes sobre a retenção de profissionais. Entre aqueles que percebem uma diferença significativa entre o potencial da IA e a entrega efetiva de suas empresas, 24% afirmam considerar deixar o emprego nos próximos dois anos, com 13% cogitando a mudança já nos próximos 12 meses.
O acesso a ferramentas avançadas de IA se tornou um fator relevante para decisões de carreira. 62% dos entrevistados afirmam que a disponibilidade de IA profissional influenciaria a aceitação de uma nova oportunidade de trabalho. Entre os profissionais que já utilizam essas tecnologias, quase um terço afirma que recusaria uma vaga que não oferecesse esse tipo de recurso.
Enquanto as organizações buscam acelerar a implementação da IA, os clientes também demonstram expectativas mais elevadas. 78% dos clientes corporativos consideram muito importante ou essencial que seus fornecedores utilizem inteligência artificial para melhorar a qualidade dos serviços prestados. No entanto, apenas 6% acreditam que a maioria dos fornecedores já entrega esse valor.
Como consequência, 32% dos clientes pretendem reavaliar seus fornecedores ao longo dos próximos 12 meses. Entre eles, um terço afirma ter mais de US$ 1 milhão em trabalho anual potencialmente sujeito à revisão, contribuindo para a estimativa de cerca de US$ 143 bilhões em receitas sob reavaliação nos mercados jurídico e contábil norte-americanos.
O desafio não está apenas em adotar IA, mas em utilizar soluções adequadas para ambientes que exigem alto grau de responsabilidade e confiabilidade. Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, a precisão deve ser muito alta. Por isso, desenvolveu-se uma tecnologia de IA de nível fiduciário, que os profissionais podem verificar, confiar e sustentar.
