Estudo da Capgemini revela divisão de desempenho na indústria automotiva com o uso de IA agêntica
68% das montadoras já utilizam inteligência artificial no desenvolvimento de produtos, mas apenas 5% têm governança madura.
Um estudo recente revela que 68% das montadoras e fornecedoras automotivas estão adotando ou testando a inteligência artificial (IA) agêntica em seus processos de desenvolvimento de produtos. No entanto, apenas 5% dessas empresas possuem uma governança de IA considerada madura.
A pesquisa, que entrevistou 800 executivos seniores de 12 países, destaca que a velocidade de adoção da tecnologia supera a capacidade das organizações de gerenciá-la adequadamente. A expectativa é que a utilização de IA agêntica em atividades de engenharia não essenciais cresça de 26% para 68% nos próximos dois a três anos.
Vantagem da IA agêntica no desenvolvimento automotivo
As empresas que já implementaram a IA agêntica relatam benefícios significativos, incluindo ciclos de desenvolvimento 17% mais curtos, aumento de 19% na produtividade de engenharia e redução de 19% no tempo de lançamento de produtos no mercado.
Essas vantagens não são apenas resultado da adoção rápida da tecnologia, mas também de bases de dados robustas, casos de negócios bem definidos e modelos operacionais disciplinados, que se destacam entre as empresas de alto desempenho.
De acordo com um especialista do setor, a indústria automotiva está passando por uma transformação estrutural significativa, impulsionada pela transição para veículos baseados em software. A IA agêntica está criando uma nova divisão de desempenho entre as organizações, onde aquelas que se destacam não apenas adotam a tecnologia rapidamente, mas também reformulam seus fluxos de trabalho e estabelecem responsabilidades claras em relação às decisões impulsionadas por IA.
Confiança cai em atividades críticas de segurança
Embora mais de 70% dos executivos acreditem que a IA agêntica pode aprimorar a tomada de decisões em engenharia, a confiança na tecnologia varia conforme a aplicação. Nas fases iniciais de pesquisa e concepção, 59% se sentem confortáveis em utilizá-la, mas esse número diminui para 40% nas etapas de desenvolvimento, onde a qualidade do produto e a segurança estão em jogo.
O estudo indica que muitas organizações ainda precisam estabelecer as evidências, rastreabilidade e responsabilidades necessárias para escalar a tecnologia de forma confiável.
Lacunas organizacionais travam a escala
Os principais obstáculos ao crescimento da IA agêntica são, em grande parte, de natureza organizacional. Seis em cada dez executivos atribuem os atrasos a ineficiências nos processos internos, enquanto 45% das empresas ainda não definiram uma estratégia clara para a IA no desenvolvimento de produtos.
A colaboração no ecossistema é outro ponto crítico, com apenas 30% das organizações adotando modelos de codesenvolvimento que utilizam métricas de resultados compartilhados. A responsabilidade compartilhada ao longo do ciclo de vida do produto é ainda menor, alcançando apenas 10% das empresas.
Além disso, 64% das organizações utilizam dados coletados em campo principalmente para orientar futuros programas, em vez de melhorar os modelos já em uso. As atualizações remotas ainda se concentram em áreas como cibersegurança, com poucos fabricantes implementando mudanças significativas em funções de condução.
Maturidade da IA agêntica varia por região
A evolução das estratégias de IA apresenta variações significativas entre os mercados. Nos Estados Unidos, 53% das montadoras estão na fase de implementação de iniciativas de IA, enquanto na Europa, esse índice é de 46%. Apenas 18% das montadoras americanas e 16% das europeias possuem uma estratégia multifuncional consolidada.
Na China, 40% dos entrevistados relatam estar em fase de implementação, mas apenas 7% atingiram um nível de maturidade estratégica semelhante ao dos EUA e Europa. Os índices de maturidade na região da Ásia-Pacífico são ainda mais baixos.
A pesquisa foi realizada em julho de 2026, abrangendo 400 montadoras, 160 fornecedores de primeiro nível e 240 provedores de tecnologia, além de entrevistas detalhadas com 24 executivos do setor automotivo e de empresas fornecedoras de tecnologia.