Estudo revela avanço da educação infantil em linguagem e matemática
Relatório revela desigualdade nas estratégias de ensino na educação infantil no Brasil.
Dados recentes indicam que as redes municipais de ensino priorizam mais estratégias de letramento e experiências com a linguagem em comparação com a matemática na educação infantil. Enquanto 48% dos municípios implementam estratégias de letramento matemático, 76% focam em práticas voltadas à linguagem e à cultura escrita.
Além disso, 20% das secretarias municipais de educação afirmam não possuir iniciativas voltadas para a primeira infância, evidenciando uma lacuna significativa no atendimento educacional oferecido a essa faixa etária.
O relatório, concluído no final de 2025 e divulgado em maio de 2026, analisa a realidade e os desafios da educação infantil no Brasil. A pesquisa abrangeu 2.712 redes municipais, representando 49% do total no país, com uma cobertura regional variada.
Um dado alarmante é que 23% das prefeituras não têm clareza sobre a adoção de estratégias de letramento em unidades conveniadas da pré-escola, que são contratadas para atender demandas locais por vagas. Essa incerteza pode comprometer a qualidade da educação oferecida.
A gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social ressaltou a importância de mecanismos de acompanhamento e padronização para evitar desigualdades educacionais dentro das redes de ensino. A necessidade de um suporte técnico eficaz é fundamental para garantir que todas as crianças tenham acesso a uma educação de qualidade.
Rotina consolidada
A pesquisa também revelou que 62% das redes municipais apoiam as escolas no contato das crianças com a natureza, enquanto 58% oferecem formação continuada focada no desenvolvimento infantil. Além disso, 56% realizam ações para garantir o acesso e a permanência dos alunos nas instituições de ensino.
O presidente da Undime destacou que a educação infantil é uma etapa crucial que impacta toda a trajetória escolar das crianças. Ele enfatizou a importância de políticas públicas que considerem as necessidades locais e a escuta da comunidade escolar.
Regime de colaboração
O estudo apontou que 67% das redes municipais recebem apoio das secretarias estaduais para a educação infantil, principalmente em formações e suporte técnico. No entanto, um terço dos municípios não recebe qualquer suporte, o que limita suas capacidades de oferecer uma educação de qualidade.
As principais necessidades identificadas incluem apoio financeiro e materiais didáticos, além de formação para os profissionais da educação. A colaboração entre estados e municípios é essencial para enfrentar as desigualdades regionais e apoiar as redes mais vulneráveis.
Organização pedagógica
A maioria dos municípios (63%) adota a matriz curricular estadual na educação infantil, enquanto 34% utilizam um currículo próprio. Na pré-escola, 78% adaptaram o Projeto Político-Pedagógico às diretrizes estabelecidas, porém 37% das secretarias enfrentam dificuldades em alinhar esse plano às normas da Base Nacional Comum Curricular.
A falta de alinhamento entre o currículo das unidades conveniadas e o da rede direta é uma preocupação que deve ser abordada para garantir uma educação coesa e de qualidade.
Transição para o fundamental
A transição das crianças da pré-escola para o 1º ano do ensino fundamental ainda é um desafio. O relatório mostra que 17% das redes não realizam planejamento articulado entre as etapas e 13% não adotam estratégias básicas para essa transição.
A falta de continuidade pedagógica pode gerar traumas e atrasos no processo de alfabetização, dificultando o desenvolvimento educacional das crianças. A implementação de processos de acolhimento é crucial para facilitar essa transição.
Infraestrutura deficitária
Os dirigentes municipais apontaram a infraestrutura física inadequada como um dos principais desafios na gestão da educação infantil, com 23% destacando essa questão. A falta de recursos e investimentos em manutenção e ampliação de vagas é uma barreira significativa para a qualidade do ensino.
Inclusão e diversidade
A inclusão de crianças com deficiência e neurodivergências também foi mencionada como um entrave por 15% dos gestores. O estudo sugere que as políticas de expansão do acesso à educação infantil devem ser acompanhadas de estratégias que garantam a acessibilidade e práticas inclusivas no cotidiano escolar.
Apenas 28% das secretarias municipais implementam propostas voltadas para populações historicamente vulneráveis, evidenciando a necessidade de um enfoque mais