Estudo revela que 60% dos líderes de marketing não possuem estrutura adequada para implementar inteligência artificial
Pesquisa revela desafios e oportunidades no uso da Inteligência Artificial por grandes corporações brasileiras.
O Marketing das grandes corporações brasileiras enfrenta uma contradição significativa: 73% reconhecem a Inteligência Artificial (IA) como uma força central, mas mais de 60% das lideranças consideram a integração dessa tecnologia um dos maiores desafios diários. Esses dados surgem de uma pesquisa que ouviu 115 líderes de empresas com faturamento superior a R$ 500 milhões.
No levantamento, não foi identificada uma tendência dominante, mas sim um ecossistema em constante evolução. A IA generativa é a mais citada, com 73%, seguida por personalização em escala (53%), automação (40%) e conteúdo criativo (37%). Entre os que utilizam a tecnologia na criação de conteúdo, 81% destacam a análise de dados como a principal alavanca de valor, com personalização e automação sendo desdobramentos diretos dessa capacidade de interpretação de dados.
Estratégia supera tecnologia como principal lacuna
Um dado crucial da pesquisa aponta para uma lacuna de competências no setor. A maior deficiência identificada é no pensamento estratégico (67%), superando habilidades técnicas como Data & Analytics (49%) e tecnologia & IA (47%). O mercado, portanto, demanda profissionais que consigam transitar entre diversas disciplinas e agregar valor à jornada corporativa, em vez de especialistas técnicos restritos a uma única abordagem.
Fernando Teixeira, diretor de Produtos e Estratégia de IA para a América Latina, destaca que o maior desafio das organizações não é a falta de talento humano ou capacitação específica. Ele afirma que o diferencial estará na construção de uma estrutura que una avanços tecnológicos e cultura corporativa. As empresas mais relevantes já estão nesse caminho, enquanto 66% que buscam repertório, estrutura e velocidade para acompanhar o mercado representam uma grande oportunidade de transformação.
Thiego Goularte, fundador e CEO da Makers, ressalta que a assimetria entre expectativa e execução também se reflete na experiência do cliente. Para 67%, essa experiência é crucial para a diferenciação no mercado, mas apenas 22% das organizações aplicam IA onde ela realmente é necessária. O tema é tratado mais como uma prioridade conceitual do que como uma capacidade estruturada, e a vantagem competitiva estará em quem conseguir transformar isso em um sistema eficaz.
Conforme o estudo, 74% das lideranças das organizações mais influentes acreditam que a IA reforça o valor das funções existentes e aumenta a exigência sobre o pensamento crítico, a curadoria e a tomada de decisão dos colaboradores. O debate atual não gira em torno da substituição, mas sim da reconfiguração do trabalho e sobre quais organizações conseguirão, a tempo, desenvolver a infraestrutura técnica e cultural que permita à tecnologia gerar valor real.
