Estudo revela que 86% das crianças apresentam melhora na chamada dor de crescimento

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Estudo revela que 86% das crianças com dores musculoesqueléticas se recuperam em 18 meses.

Um novo estudo indica que pelo menos 86% das crianças e adolescentes que enfrentam dores intensas nos ossos, ligamentos ou músculos conseguem se recuperar em até 18 meses. Contudo, é importante ressaltar que 32% desses pacientes podem experimentar a reincidência das dores em algum momento.

A pesquisa, que envolveu 694 jovens, foi publicada em março e traz uma nova perspectiva sobre uma condição que afeta 30% das crianças e adolescentes brasileiros. Embora não esteja relacionada a traumas ou esforços repetitivos, essa condição, conhecida como “dor de crescimento”, é suficientemente severa para impactar a frequência escolar e a participação em atividades cotidianas e de lazer.

Segundo a coordenadora do estudo, a dor é frequentemente subestimada e pouco estudada, resultando em tratamentos inadequados e desvalorização das queixas tanto por parte da família quanto do sistema de saúde. A pesquisa revela que, embora a dor possa desaparecer, em 14% dos casos ela pode persistir, destacando a necessidade de atenção contínua.

Os pesquisadores identificaram que a qualidade de vida e a idade são fatores determinantes na recuperação. Crianças mais novas e com uma qualidade de vida superior têm maiores chances de melhora espontânea. À medida que os jovens entram na adolescência, as probabilidades de recuperação diminuem, o que enfatiza a urgência de intervenções precoces.

A dor crônica na infância e adolescência é um fator de risco para o desenvolvimento de condições crônicas na vida adulta. Compreender a evolução dessas dores é essencial para identificar aqueles que necessitam de atenção precoce, ajudando a evitar problemas de saúde persistentes no futuro.

A especialista ressalta que a dor crônica, como a dor lombar, tem um impacto significativo na saúde global, resultando em altos custos para os sistemas de saúde pública. Tratar essas condições precocemente pode ser uma estratégia eficaz para reduzir os impactos econômicos e sociais no futuro.

O estudo, que recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, é pioneiro ao investigar o prognóstico da dor musculoesquelética em crianças e adolescentes. A pesquisa também analisa fatores que podem estar relacionados à recuperação e à reincidência das dores, além de fornecer dados relevantes sobre essa condição em países de baixa e média renda.

Para a seleção dos participantes, foram inicialmente contatadas 12.036 crianças e adolescentes de 28 escolas públicas e privadas em Fortaleza e em várias cidades do estado de São Paulo. Dentre os que aceitaram participar, 2.688 jovens responderam a um questionário sobre a presença de dor que impactava sua vida cotidiana, e 694 foram monitorados ao longo de 18 meses.

Os resultados mostraram que as costas foram a parte do corpo mais mencionada, com 51,3% dos participantes relatando dor nessa área, seguidas pelas pernas (42,5%) e pelo pescoço (20,5%). Contudo, a dor pode surgir em qualquer articulação, osso ou músculo.

A dor musculoesquelética em jovens é frequentemente subestimada e associada a um mito não comprovado. O termo “dor de crescimento” é utilizado de forma comum, embora não haja evidências científicas que comprovem que os estirões de crescimento causam dor. Essa interpretação errônea pode levar à ideia de que a dor desaparecerá naturalmente, sem a necessidade de intervenção.

Atualmente, as causas da dor musculoesquelética em crianças e adolescentes ainda são desconhecidas. Muitas vezes, essas condições não podem ser identificadas por exames de imagem, mas sim através do relato dos pacientes. O uso do termo “dor de crescimento” pode levar à subestimação de dores reais e incapacitantes, resultando em diagnósticos inadequados e falta de protocolos de tratamento eficazes.

A orientação para a prática clínica é tranquilizar as famílias sobre o bom prognóstico, mas também enfatizar a importância do acompanhamento para aqueles que apresentam dores frequentes ou recorrentes, visando evitar a transição para a dor crônica na vida adulta.

Além disso, a pesquisa sugere que a dor pode estar relacionada a fatores como qualidade do sono, sintomas psicossomáticos e dinâmica familiar, o que torna o ambiente emocional um aspecto relevante para a recuperação. Assim, recomenda-se que os profissionais de saúde considerem a qualidade de vida dos jovens, indo além da análise física da dor para entender melhor o contexto em que vivem.

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