Estudo revela que idosos que dormem mais de 9 horas por dia enfrentam maior risco de perda de mobilidade

Compartilhe essa Informação

Estudo revela que sono prolongado pode afetar a mobilidade em homens idosos.

Perguntar a homens idosos quantas horas dormem por noite pode ser uma estratégia eficaz para prever e prevenir a perda de mobilidade. Um estudo acompanhou mais de 3.000 pessoas acima de 60 anos e constatou que dormir mais de 9 horas por noite resultou em passos mais lentos ao longo de 8 anos, especialmente entre os homens.

A pesquisa foi realizada por cientistas da UFSCar e da University College London, analisando dados de 1.582 homens e 1.626 mulheres com 60 anos ou mais. Apenas indivíduos sem problemas preexistentes relacionados à velocidade de marcha foram incluídos no estudo, que teve um acompanhamento de 8 anos.

Os resultados, publicados no Journal of the American Medical Directors Association, indicam que homens acima de 60 anos que dormiram mais de 9 horas por noite apresentaram uma redução significativa na velocidade de caminhada, chegando a perder até ¼ da velocidade inicial. Por outro lado, sintomas de insônia e noites curtas de sono não influenciaram a mobilidade masculina, e não foi observada nenhuma associação entre padrão de sono e mobilidade nas mulheres.

Com base nos dados, os pesquisadores sugerem que o sono prolongado deve ser considerado um marcador de risco para a lentidão em homens com mais de 60 anos. A qualidade do sono é um fator importante, pois aqueles que dormem mais horas tendem a ter um sono mais fragmentado e menos profundo.

Esse tipo de sono, apesar de ser longo, compromete a liberação de testosterona, um hormônio crucial para a manutenção da massa muscular, especialmente em homens. Isso pode acelerar a perda de velocidade da caminhada, conforme explicou um dos autores do estudo.

“Inflammaging”

Além das questões hormonais, o sono longo e interrompido está associado ao agravamento de um processo inflamatório crônico, conhecido como inflammaging, que é comum na velhice. Essa condição degrada as células do tecido muscular, inibe a síntese proteica e reduz a força e a massa muscular.

Os pesquisadores afirmam que a manutenção da massa muscular é vital para a saúde na velhice, pois o sistema imunológico e o endócrino são influenciados pelo sistema muscular.

As mulheres que dormiram mais de 9 horas não apresentaram alteração na velocidade da caminhada, devido a diferenças hormonais. Hormônios como IGF-1 e GH têm um papel mais significativo no anabolismo muscular feminino do que a testosterona, o que explica a ausência de impacto significativo.

Os autores destacam que o padrão de sono tende a mudar com o envelhecimento. Para idosos, o ideal é dormir de 6 a 9 horas por noite, enquanto adultos mais jovens devem dormir entre 7 e 8 horas.

Portanto, para os idosos, dormir mais de 9 horas à noite é um padrão atípico que pode indicar vulnerabilidade clínica. O estudo enfatiza a importância de considerar o sono prolongado como um marcador de risco específico para homens idosos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *