Estudo revela que visões do além em experiências de quase morte são resultantes de estados alterados de consciência e falta de oxigênio no cérebro

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A ciência ainda busca entender as experiências de quase-morte e suas implicações.

Uma das grandes questões que permeiam a humanidade é a existência de um pós-vida e a possibilidade de comprovação dessa realidade. Atualmente, a ciência não possui uma resposta definitiva, embora a neurociência esteja progredindo no estudo das experiências de quase-morte (EQMs), revelando um fenômeno de grande complexidade.

Um dos desafios na divulgação científica desse tema é a confusão entre correlação, causalidade e autoridade. O envolvimento de figuras renomadas, como cardiologistas e ganhadores do Prêmio Nobel, em discussões sobre “supraconsciência” ou “provas de Deus” não garante a validação científica de suas ideias.

Casos marcantes, como o do neurocirurgião que descreveu sua experiência “no além” durante um coma, são frequentemente citados. Contudo, do ponto de vista científico, tais relatos são experiências isoladas, sem validação independente que confirme a inatividade cerebral durante esses episódios.

Ademais, o conceito de “ajuste fino” do universo, que sugere que as constantes cosmológicas foram ajustadas para permitir a vida, é frequentemente utilizado como evidência científica. No entanto, essa argumentação é contestada por filósofos que destacam a existência de explicações alternativas, como o multiverso ou o acaso, que não necessitam de uma intervenção divina.

Quando se analisa o que a ciência revela sobre as EQMs, estudos indicam que entre 10% e 20% dos pacientes críticos que sobreviveram a paradas cardíacas relataram experiências desse tipo.

Novo estudo

A realidade da experiência vivida por esses indivíduos não implica necessariamente que sua origem seja sobrenatural. O modelo científico mais sólido atualmente foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores, que propôs um modelo neurocientífico explicando as EQMs como consequências diretas de processos neurobiológicos em cérebros submetidos a estresse extremo.

Pesquisas neurofuncionais sugerem que a sensação de ver uma luz no fim do túnel, a sensação de paz e a recordação de momentos da vida são resultados de estados alterados de consciência e da falta de oxigênio no cérebro. Estudos anteriores já haviam apontado as limitações metodológicas nas investigações que tentam afirmar a existência de percepção sem um substrato fisiológico.

Uma análise abrangente de 775 artigos publicados ao longo de quase 50 anos sobre EQMs concluiu que este campo continua fragmentado e carece de maior rigor metodológico. Contudo, a ciência reconhece o impacto transformador dessas experiências a longo prazo.

Um estudo recente comparou 834 pessoas que vivenciaram EQMs com 42 que enfrentaram situações de risco de morte sem passar por elas, revelando transformações espirituais e psicológicas significativas no primeiro grupo. Assim, enquanto é evidente que uma EQM pode alterar a vida de uma pessoa, a conclusão de que isso indica uma viagem da alma para outra dimensão não é sustentada pela ciência atual.

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