EUA buscam liderança no mercado de computação quântica

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Governo dos EUA avança na corrida pela computação quântica, visando liderança no mercado.

O governo dos Estados Unidos deu início a um esforço significativo para se destacar no mercado de computação quântica, um setor que, segundo especialistas, ainda está a pelo menos cinco anos de alcançar um produto comercialmente viável.

Com o interesse de gigantes como Google, Amazon e Microsoft, a computação quântica utiliza as leis da física quântica para resolver problemas extremamente complexos em questão de segundos, explorando um vasto número de dimensões e possibilidades computacionais.

Embora os computadores quânticos não substituam smartphones ou laptops, eles têm um potencial considerável para aplicações comerciais, incluindo o desenvolvimento de novos medicamentos e materiais, como ligas metálicas leves e resistentes à corrosão. Também se vislumbra sua utilização em setores como defesa, aeroespacial e automotivo.

Nos Estados Unidos, a tecnologia quântica já se consolidou como uma realidade, dando origem a centenas de empresas. Cientistas dividem o setor em áreas como computação, comunicação e sensoriamento, que em breve poderão ser utilizadas para detectar secas, tsunamis e terremotos, além da exploração de minerais, petróleo e gás.

Na corrida pela computação quântica, grandes empresas de tecnologia, startups, laboratórios privados, institutos e universidades estão se empenhando para transformar essa tecnologia complexa em produtos comerciais. O governo norte-americano está atento a essa competição, buscando se posicionar à frente de outras nações antes que a demanda global por essa tecnologia se intensifique.

IBM adquire HRL Laboratories

O HRL Laboratories, localizado em Malibu, Califórnia, é um componente central da estratégia do governo dos EUA para garantir a liderança no mercado de computação quântica. Esta instituição privada é especializada no desenvolvimento de propriedades intelectuais e na fabricação de componentes avançados em pequena escala.

Reconhecido internacionalmente pelo desenvolvimento de qubits de spin em silício, conhecidos como “bits quânticos”, o HRL é crucial para armazenar e processar informações, permitindo simulações detalhadas do comportamento de átomos e moléculas que os computadores convencionais não conseguem realizar.

A IBM, uma das maiores empresas de computação do mundo, adquiriu 100% do HRL em 26 de agosto, após o laboratório ser controlado conjuntamente pela Boeing e pela General Motors, que continuarão a colaborar com a IBM após a transação.

O cientista-chefe da Divisão de Física Computacional do HRL afirmou que essa aquisição representa uma mudança significativa na indústria de computação quântica, movendo-se de um foco em pesquisa para um enfoque comercial.

Essa compra é parte de um movimento coordenado entre a IBM e o Departamento de Comércio dos EUA, que em maio estabeleceram a subsidiária Anderson, destinada a desenvolver uma linha de produção de wafers para computação quântica.

A operação, localizada em Albany, Nova York, recebeu um investimento de US$ 1 bilhão do governo por meio do Chips and Science Act, além de outros US$ 1 bilhão da IBM.

O cientista Ladd explicou que a tecnologia em desenvolvimento visa ser transformada em um produto comercial, com o governo financiando a pesquisa para avaliar sua viabilidade.

Utilizar silício é vantajoso, pois permite aproveitar técnicas e máquinas já existentes na produção em massa de chips convencionais, evitando a necessidade de criar um novo método de fabricação para computadores quânticos.

Com essa iniciativa, o governo dos EUA busca evitar uma dependência semelhante à da indústria de microchips, onde a maioria dos equipamentos é fabricada em Taiwan, dominada por empresas como a TSMC.

O objetivo é desenvolver uma linha de fabricação não apenas para GPUs e CPUs, mas também para qubits de spin, preferencialmente em solo americano. Parte do acordo de aquisição do HRL pela IBM inclui o desenvolvimento conjunto de uma linha de fabricação nos Estados Unidos.

IBM e HRL estabeleceram um cronograma para o projeto, com a intenção de iniciar o mais rápido possível, embora a produção em escala comercial não deva começar nos próximos cinco anos.

Embora o projeto esteja sujeito a controles de exportação do governo dos EUA, o cientista Ladd confirmou que a intenção é que o produto final seja comercializado globalmente.

A expectativa é que a venda comercial e o acesso a computadores quânticos sejam realizados em uma escala mundial.

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