EUA exigem respostas de Zuckerberg sobre ações da Meta nas eleições brasileiras
Conselho de Supervisão da Meta critica atuação da empresa durante as eleições no Brasil
Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg, solicitando esclarecimentos sobre alegações de tratamento desigual às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro nas plataformas da empresa durante as eleições brasileiras.
O documento destaca a responsabilidade das grandes empresas de tecnologia em assegurar que os candidatos tenham acesso igualitário à distribuição e recomendação de conteúdos em suas plataformas durante períodos eleitorais.
“Estamos, portanto, profundamente preocupados com relatos confiáveis de que as plataformas da Meta estariam restringindo ou suprimindo conteúdos associados à campanha de Lula, ao mesmo tempo que ampliam o alcance ou recomendam conteúdos associados à campanha de Bolsonaro, criando, assim, condições marcadamente desiguais no ambiente digital”, afirma o documento.
Nos últimos dias, usuários relataram que a inteligência artificial do WhatsApp se recusava a criar imagens para a campanha de Lula, enquanto aceitava solicitações semelhantes para Flávio. Essa situação levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a exigir explicações da Meta, que afirmou ter cumprido as determinações da Corte para garantir um tratamento isonômico no segundo turno.
De acordo com a campanha petista, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas deixaram de visualizar os anúncios durante este período. A carta também menciona que o TSE multou a Meta e exigiu o tratamento igualitário aos candidatos, aumentando a penalidade por descumprimento da decisão em quatro dias.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta
Congressistas pressionam por moderação
Os parlamentares solicitaram uma reunião com a Meta para a próxima sexta-feira e deram à empresa até 4 de novembro para responder a perguntas por escrito. Eles buscam entender quais regras orientam a moderação de conteúdo em eleições internacionais e se houve comunicação entre a Meta e membros do governo sobre o Judiciário brasileiro e as eleições de 2026.
A carta também indaga quando a Meta identificou diferenças de tratamento entre as campanhas e quais ações foram tomadas para resolver a questão. Os congressistas pedem detalhes sobre o sistema de revisão humana que analisa restrições automatizadas às contas de anúncios dos candidatos em um prazo de até duas horas.
Além disso, questionam se a empresa permitirá que auditores independentes acessem dados internos de moderação e distribuição de conteúdo político para verificar a igualdade de tratamento nas eleições brasileiras.