Europa busca alternativas às usinas termelétricas a gás com nova bateria de ferro-ar para enfrentar apagões

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Europa firma acordo inovador para armazenamento de energia com baterias de ferro-ar.

Quando as condições climáticas são desfavoráveis para as energias renováveis, as baterias se tornam essenciais. Nesse contexto, a Europa estabeleceu um dos seus maiores acordos com a startup holandesa Ore Energy, que fornecerá 1 gigawatt-hora de armazenamento em baterias de ferro-ar à fornecedora de energia Budget Thuis, representando o maior acordo desse tipo no continente.

A maioria das baterias atualmente utilizadas nas redes elétricas é projetada para fornecer energia rapidamente em caso de falhas, mas carece de resiliência. Os sistemas de armazenamento de íon-lítio são eficazes para equilibrar a oferta e demanda por algumas horas, mas não são adequados para sustentar um país durante longos períodos de baixa geração de energia, como em secas de vento ou sol.

Com a crescente dependência da Europa em energias renováveis, os desequilíbrios energéticos têm causado desafios significativos. Muitas redes elétricas são forçadas a descartar energia limpa que não pode ser armazenada ou utilizada imediatamente, enquanto ainda dependem de usinas termelétricas a gás para atender à demanda.

A tecnologia da Ore Energy baseia-se na oxidação e desoxidação do ferro. Essa reação reversível, que utiliza apenas ferro, água e ar, permite que as baterias sejam carregadas e descarregadas sem a necessidade de lítio, cobalto ou outros minerais críticos. Além disso, essas baterias têm uma vida útil significativamente maior do que as convencionais, armazenando eletricidade por períodos que variam de 24 a 100 horas, em comparação com as poucas horas das baterias de íon-lítio.

O sistema de armazenamento é modular, podendo ser acondicionado em grandes contêineres que se interligam para aumentar a capacidade e se conectar diretamente à rede elétrica.

A Ore Energy foi fundada em 2023 como um desdobramento de pesquisas da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda. A startup realizou testes iniciais em Delft e um projeto piloto com a empresa francesa EDF, onde conseguiu manter o fluxo de energia por até quatro dias em condições reais de operação.

O acordo com a Budget Thuis, firmado em junho, começa com uma fase de 400 megawatts-hora, com entrega prevista para 2028, e prevê um aumento gradual até atingir 1 gigawatt-hora.

O cofundador e CEO da Ore Energy, Aytaç Yilmaz, destacou que a proposta busca adaptar o armazenamento de energia ao comportamento das redes europeias, enfatizando que as baterias de curta duração não são suficientes. Ele argumenta que a tecnologia visa substituir as usinas termelétricas a gás, utilizando uma cadeia de suprimentos que a Europa pode controlar.

A Budget Thuis, por sua vez, vê o acordo como uma forma de mitigar a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis, proporcionando aos clientes acesso a uma eletricidade mais limpa e previsível ao longo do tempo.

Além disso, a eliminação da necessidade de lítio e cobalto nas baterias traz uma dimensão geopolítica significativa. A Ore Energy afirma que pode produzir essas baterias por meio de uma cadeia de suprimentos totalmente europeia, reduzindo a dependência de materiais provenientes da China.

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