Eventos vazios geram desconforto na campanha de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades de mobilização em sua campanha eleitoral.
A campanha de Flávio Bolsonaro iniciou com desafios significativos, especialmente a dificuldade em atrair público para os eventos de rua. Nos primeiros dias da campanha oficial, o senador experimentou uma série de compromissos com baixa adesão, incluindo o evento de lançamento em Copacabana, que não atingiu o número esperado de participantes, além de um ato cancelado em Juiz de Fora e compromissos esvaziados em Belo Horizonte.
A escassez de público gerou desconforto tanto para o candidato quanto para sua equipe, levando a reclamações que chegaram a Vicente Santini, responsável pela organização das agendas do senador. Santini é uma figura central na montagem dos compromissos e encontros do candidato, e a situação levantou preocupações sobre a eficácia da estratégia de mobilização.
O primeiro grande teste ocorreu no dia 16, em Copacabana, onde o evento de lançamento foi realizado. Estimativas indicaram que o público atingiu um pico de 8,9 mil pessoas, embora a margem de erro possa ter variado entre 7,8 mil e 9,9 mil. Esse número é consideravelmente inferior ao que foi observado em mobilizações anteriores do bolsonarismo na mesma área, onde atos liderados por Jair Bolsonaro reuniram dezenas de milhares de participantes.
Na segunda-feira, 17, Flávio tinha uma agenda programada em Juiz de Fora, local emblemático devido ao atentado que seu pai sofreu em 2018. Contudo, o evento foi cancelado sob a justificativa de mau tempo. Em seguida, o senador participou do lançamento da candidatura de Flávio Roscoe ao governo de Minas Gerais, mas a capacidade do ginásio, que era de 900 pessoas, não foi totalmente preenchida, e a campanha não divulgou números de público.
A presença de Nikolas Ferreira, uma figura influente na mobilização digital do bolsonarismo, não conseguiu reverter a situação. O deputado chegou a compartilhar imagens que mostraram os espaços vazios no evento, evidenciando a fraca adesão.
Na terça-feira, 18, a campanha promoveu um “adesivaço” em Belo Horizonte, que teve uma participação ainda menor, com cerca de 100 pessoas presentes. Esses episódios começaram a gerar preocupações sobre a capacidade de Flávio em replicar a mobilização que caracterizou a trajetória política de seu pai.
A situação levou o PL a considerar a necessidade de adaptar o formato dos eventos para melhor se adequar à capacidade de convocação do candidato, ao invés de simplesmente replicar a estrutura dos grandes atos realizados por Jair Bolsonaro. Essa avaliação é crucial, uma vez que a campanha se baseou em locais e formatos que já estavam associados ao bolsonarismo, como Copacabana e Juiz de Fora.
Nesta quarta-feira, 19, Flávio está em Brasília para gravar materiais de propaganda política, marcando uma mudança em relação aos primeiros dias, que foram focados em atividades presenciais. A campanha agora terá que lidar com o desgaste causado pelas imagens de baixa mobilização enquanto se prepara para novos desafios nas ruas, incluindo eventos programados para São Paulo e um no Maracanãzinho, no Rio, previsto para sábado, 22.
