Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada por lavagem de dinheiro ligada a filho de miliciano

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Denúncia envolve ex-assessora de Flávio Bolsonaro em esquema de lavagem de dinheiro.

Uma ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foi denunciada por suposta participação na lavagem de dinheiro relacionada ao miliciano Adriano da Nóbrega, que foi morto em 2020 durante uma operação policial na Bahia.

A denúncia, divulgada pelo Ministério Público estadual, revela que Raimunda Veras Magalhães fez parte de uma rede que operava para “receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho”.

A defesa de Raimunda, representada pela advogada Manoela Santos, afirmou que ainda não teve acesso aos detalhes do processo. Flávio Bolsonaro, que se prepara para uma candidatura à Presidência, não comentou a acusação por não estar a par dos detalhes.

Raimunda já havia sido mencionada em um esquema de “rachadinha” atribuído a Flávio, que foi arquivado em 2021 após a anulação de provas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal.

Investigações indicam que Adriano controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana, em associação com o bicheiro Bernardo Bello. Quatro empresas ligadas ao esquema movimentaram cerca de R$ 8,5 milhões.

Entre as empresas de fachada identificadas estão um depósito de bebidas, um bar e um restaurante. Além disso, foi encontrado um quiosque de serviços de sobrancelha que, em apenas seis meses, registrou aproximadamente R$ 2 milhões em créditos.

Raimunda atuou como assessora de Flávio entre abril de 2016 e novembro de 2018. A denúncia revela movimentações financeiras suspeitas em uma pizzaria entre 2014 e 2019, onde depósitos foram feitos por pessoas envolvidas na lavagem de dinheiro de Adriano.

O Ministério Público também apresentou uma denúncia contra o deputado federal Juninho do Pneu, que teria adquirido bens de Adriano avaliados em R$ 3,5 milhões após sua morte. A acusação alega que ele e a viúva de Adriano, Julia Lotuffo, estavam cientes da origem ilícita do imóvel.

Juninho, por sua vez, declarou que a compra do sítio foi feita por seu pai e negou qualquer relação com os indivíduos mencionados na denúncia. Ele também argumentou que a investigação deveria ser conduzida pela Procuradoria-Geral da República devido ao foro especial dos deputados federais.

As investigações resultaram em três denúncias que abordam a atuação de Adriano no jogo do bicho, sua rede de matadores de aluguel e a ocultação de seu patrimônio após sua morte.

A terceira ação penal foca nos integrantes que continuaram as atividades criminosas sob o comando de Adriano, mesmo após sua morte. Segundo o Gaeco/MP-RJ, Julia Lotufo assumiu a liderança e controlava a contabilidade e os ativos da organização criminosa, que envolvia agiotagem, contravenção e atividades imobiliárias irregulares.

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