Ex-executivo da Apple lança concorrente da Meta em óculos inteligentes e startup alcança valuation de US$ 1 bilhão
Startup Xreal se destaca no mercado de óculos inteligentes com novo investimento.
A corrida pelo mercado de óculos inteligentes ganhou um novo concorrente de peso. A startup chinesa Xreal, fundada pelo ex-executivo da Apple, Chi Xu, captou US$ 100 milhões em uma rodada de investimentos liderada por Hongshan, apoiada pela Alibaba, com participação de Tencent, Meituan e outras gestoras. Com isso, a empresa alcançou uma avaliação superior a US$ 1 bilhão, tornando-se um “unicórnio”.
Os recursos arrecadados serão direcionados ao desenvolvimento de novas gerações de óculos inteligentes que incorporam inteligência artificial e realidade aumentada. Este movimento ocorre em um contexto onde gigantes como Meta, Google, Apple e Samsung estão aumentando seus investimentos nesse segmento. A expectativa é que os óculos inteligentes se tornem uma das principais plataformas de computação pessoal impulsionadas por IA ao longo desta década.
A Xreal, anteriormente conhecida como Nreal, foi criada em 2017 por Chi Xu, que trabalhou na Apple no desenvolvimento de tecnologias relacionadas à realidade aumentada antes de retornar à China para fundar a empresa. Desde sua fundação, a companhia tem se concentrado na produção de dispositivos leves voltados para entretenimento, produtividade e aplicações corporativas.
A startup já vendeu mais de 500 mil dispositivos globalmente e pretende acelerar sua expansão internacional, especialmente nos Estados Unidos, Europa e Japão. O novo capital será utilizado para ampliar pesquisa e desenvolvimento, além de fortalecer sua presença comercial. A empresa tem registrado um crescimento consistente nas vendas, impulsionado pelo avanço das aplicações de inteligência artificial em dispositivos vestíveis.
O investimento reforça a crescente disputa entre empresas de tecnologia para transformar os óculos inteligentes na próxima grande plataforma de computação. A Meta lidera atualmente o segmento com seus dispositivos desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica, enquanto o Google anunciou iniciativas com fabricantes do setor óptico para integrar o sistema Android XR a novos modelos.
A Apple também trabalha em seus próprios óculos inteligentes, que ainda estão em desenvolvimento. Informações de analistas do setor indicam que a empresa busca criar um dispositivo focado em inteligência artificial que concorra diretamente com os modelos da Meta.
Nesse cenário, a Xreal adota uma estratégia diferenciada. Em vez de priorizar exclusivamente funcionalidades baseadas em IA, a empresa foca na combinação entre realidade aumentada e computação espacial, permitindo que os usuários visualizem telas virtuais de grandes dimensões conectadas a smartphones, notebooks e consoles de videogame.
A nova rodada de investimentos permitirá à Xreal acelerar o desenvolvimento de produtos que integrem modelos de inteligência artificial diretamente aos óculos, reduzindo a dependência de smartphones para executar determinadas tarefas. A empresa acredita que os avanços em modelos multimodais possibilitarão experiências mais naturais de interação por voz, visão computacional e reconhecimento do ambiente.
A entrada de Tencent e Meituan como investidores também demonstra o crescente interesse das grandes empresas chinesas pelo mercado de hardware baseado em IA. Nos últimos meses, fabricantes e plataformas digitais têm ampliado seus investimentos em dispositivos capazes de executar modelos de inteligência artificial localmente ou conectados à nuvem.
O mercado global de óculos inteligentes está vivendo uma nova fase de expansão após anos de adoção limitada. A evolução dos modelos de IA, a redução do consumo de energia dos chips e melhorias em componentes ópticos tornaram os dispositivos mais leves, funcionais e comercialmente viáveis.
Para a Xreal, atingir o status de unicórnio representa uma nova etapa em sua estratégia de competir com gigantes da tecnologia em um dos segmentos mais promissores da próxima geração de dispositivos pessoais. A empresa pretende utilizar os recursos recém-captados para ampliar investimentos em pesquisa, acelerar o lançamento de novos produtos e fortalecer sua presença global à medida que a disputa por liderança em óculos inteligentes se intensifica.
