Executivo alerta que seguir um plano de 2022 pode ser o maior erro em 2026 na estratégia de IA
Desafios da liderança na era da inteligência artificial são discutidos em painel do IT Forum.
Durante o painel “Liderando em tempos de IA” no IT Forum, o presidente da Vtex Brasil B2B Solutions, Massimo Enea, destacou que o maior erro das empresas é seguir planos obsoletos em um cenário tecnológico em rápida evolução.
A discussão contou com a presença de quatro executivos de destaque, incluindo Ana Carla Martins, da Iron Mountain, Mauricio Prado, da monday.com, e Marcelo Braga, da IBM Brasil, moderados por Gabriela Vicari, CEO do Instituto Itaqui. Juntos, eles abordaram os principais erros que impedem a adoção efetiva da inteligência artificial nas organizações.
Os três erros que travam a IA
Enea identificou três principais obstáculos à implementação da IA nas empresas. O primeiro é a aceitação de provas de conceito que nunca avançam para a produção. Ele enfatizou que muitas iniciativas de IA não saem do papel.
O segundo erro é a proteção excessiva de processos legados. Segundo Enea, a verdadeira transformação ocorre quando os processos antigos são eliminados, permitindo a inovação. O terceiro ponto é a delegação da responsabilidade da IA apenas para a área de tecnologia da informação. Ele argumenta que a IA deve ser uma prioridade em toda a organização.
Ao transferir essa responsabilidade, as empresas perdem a oportunidade de eliminar processos ineficazes e de entender o valor gerado pela IA, o que pode retardar o crescimento das equipes. Enea alerta que o verdadeiro risco não está em falhar com a tecnologia, mas em seguir estratégias que já não fazem sentido.
Do volume de tokens ao resultado
Marcelo Braga abordou a evolução da liderança em um contexto onde o conhecimento não está mais centralizado. Ele afirmou que, atualmente, o líder deve saber compartilhar o palco e que a cultura de testar e aprender rapidamente, comum na IA, deve ser adotada pelas empresas.
Braga citou o exemplo de uma grande instituição financeira brasileira que, recentemente, viu o consumo de tokens por seus funcionários superar o valor da folha de pagamento. Ele destacou que o problema não era o volume em si, mas a forma como a produtividade era medida, atrelada ao uso dos tokens, o que poderia levar a decisões equivocadas.
Ele também mencionou o desafio de escalar a adoção de IA sem comprometer a qualidade. Para ele, as ferramentas internas da IBM, utilizadas por mais de uma década, agora são aprimoradas pela IA, que ajuda a revisar projetos e identificar erros que antes eram restritos a poucos especialistas.
Tecnologia fácil de adotar e a vantagem da latinidade
Mauricio Prado defendeu que a falta de capacitação ao escalar o uso da IA é um grande risco. Ele atribuiu parte do sucesso da monday.com na América Latina à intuitividade de sua plataforma, que já conta com 25 clientes na região.
Prado também refletiu sobre como a cultura latina pode ser uma vantagem em tempos de IA. Ele acredita que, embora países mais estruturados sejam bons em processos, os latinos possuem habilidades de comunicação, criatividade e empatia que podem se tornar diferenciais competitivos.
Nem freio nem soltura total
Ana Carla Martins encerrou o painel com um alerta sobre a adoção da IA. Ela enfatizou que as empresas não devem restringir o uso da tecnologia, mas também não devem deixá-la solta, pois isso pode levar ao desperdício de recursos.
Ela recomendou que as empresas evitem pensar em ganhos pequenos e pontuais, destacando que a IA pode ter um impacto significativo. Ana Carla também alertou que, na atual velocidade de transformação, qualquer empresa pode se tornar obsoleta rapidamente se não acompanhar as mudanças.
