Exército de Lula suspenso por 48 horas após decisão de Nunes Marques
Canal de WhatsApp “Exército do Lula” é suspenso pelo TSE antes do segundo turno das eleições
O canal de WhatsApp conhecido como “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal reeleito André Janones, foi retirado do ar por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. A suspensão ocorreu na noite de terça-feira, 13, e a ferramenta contava com mais de 4 milhões de seguidores, sendo utilizada para mobilizar apoiadores do presidente Lula na disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro, agendado para 25 de outubro.
A decisão de suspensão foi tomada mesmo após a campanha petista ter registrado o canal na Justiça Eleitoral, atendendo a uma exigência prévia. Nunes Marques considerou que a determinação estava cumprida, mas manteve um prazo de 48 horas para a possível retomada das atividades do canal. Durante esse período, o envio de atualizações e a inclusão de novos seguidores estão suspensos.
Em resposta à decisão, Janones publicou um vídeo nas redes sociais, onde expressou sua indignação e afirmou que a ferramenta não havia divulgado informações falsas. Ele questionou o timing da suspensão, que ocorreu à noite, e manifestou sua confiança em continuar o trabalho, apesar da tristeza pela situação.
O deputado também levantou questões sobre a coincidência da suspensão com a votação de uma proposta que visa o fim da escala de trabalho 6×1, insinuando que a decisão poderia estar relacionada a esse contexto político.
Campanha defende a autonomia do canal
A disputa começou com uma ação da campanha de Flávio Bolsonaro, que questionou a regularidade do canal e acusou a divulgação de informações falsas. No entanto, um relatório técnico do TSE não encontrou evidências que corroborassem as alegações feitas. O documento indicou que 499 publicações haviam sido removidas, o que dificultou a análise completa das mensagens.
Ao formalizar o registro do canal, a defesa de Lula enfatizou que a medida foi tomada apenas para cumprir a ordem judicial, sem reconhecer que o canal fazia parte da estrutura oficial de propaganda da candidatura. A campanha afirma que o canal é gerido exclusivamente por Janones, sem supervisão direta da campanha de Lula.
A retomada das atividades do canal está condicionada ao cumprimento das regras de identificação dos responsáveis pela propaganda eleitoral, conforme as normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Divergência nas decisões do TSE
A suspensão do canal gerou decisões conflitantes dentro do TSE. Inicialmente, Nunes Marques havia determinado a suspensão no domingo, 11, mas essa medida foi revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Contudo, a suspensão foi restabelecida pelo presidente do tribunal na terça-feira.
Diante da controvérsia, Cueva sugeriu que a questão fosse resolvida pelo plenário do TSE, em sessão presencial ou virtual, destacando a urgência da situação em virtude da proximidade do segundo turno das eleições. Ele enfatizou a necessidade de uma solução que promova o diálogo e a harmonia institucional no âmbito da Justiça Eleitoral.