Expatriados da história habitavam bairro inglês em Roma no ano de 950 d.C. próximo ao Vaticano
Descobertas arqueológicas revelam a presença inglesa em Roma medieval.
A poucos passos da emblemática Praça de São Pedro, em Roma, equipes de arqueólogos têm trabalhado incansavelmente para desenterrar as camadas da rica história da capital italiana. Em 2023, uma descoberta significativa foi feita: o famoso Teatro de Nero. No entanto, uma revelação ainda mais intrigante ocorreu ao norte, onde foram encontradas moedas inglesas do século X, marcando o primeiro vestígio físico do bairro medieval conhecido como Schola Saxonum.
Pesquisadores, incluindo especialistas de universidades renomadas, analisaram 20 moedas de origem inglesa. Dentre elas, 14 foram descobertas em lixões, oxidadas e unidas, enquanto as demais estavam dispersas nas imediações. As moedas, que incluem 19 pennies e meio-pennies de prata, foram cunhadas durante os reinados de Eduardo, o Velho, Etelstano e Edredo, em regiões como East Anglia, Kent, Londres e West Midlands. Juntamente com as moedas, foram encontrados vestígios de couro, osso e ferramentas de metalurgia, sugerindo que a área não era apenas um abrigo para peregrinos, mas um centro de comércio e artesanato com uma comunidade estável.
Até o momento, a Schola Saxonum existia apenas em textos e tradições, sem uma localização física definida. Segundo um dos pesquisadores, essa descoberta representa a primeira evidência material do bairro inglês em Roma. Além disso, a pesquisa revelou que os ingleses do período podiam usar sua própria moeda na cidade, um privilégio que não era comum entre outros estrangeiros, indicando seu prestígio na sociedade romana. Mais moedas anglo-saxônicas foram encontradas em Roma do que moedas papais, evidenciando um considerável fluxo de dinheiro vindo da Inglaterra.
A relação entre Inglaterra e Roma remonta ao final do século VI, quando o Papa Gregório I organizou uma missão para os ingleses. Os anglo-saxões demonstraram grande devoção a Roma desde então. No século VIII, o rei Ine de Wessex fundou a Schola Saxonum como um albergue e capela para peregrinos, conforme registrado por cronistas medievais. Textos da época mencionam uma igreja dedicada à Virgem Maria e duas fogueiras no século IX, além de relatos sobre o sepultamento do rei Burgred da Mércia nesta igreja após seu exílio pelos vikings.
As evidências encontradas indicam que as moedas eram parte do comércio diário, e não de um tesouro escondido. A ausência de vestígios de fundição de prata sugere que elas foram perdidas por artesãos e compradores durante suas atividades. Acredita-se que a comunidade anglo-saxônica em Roma contava com centenas de moradores, formando uma pequena cidade em miniatura. A área dedicada ao artesanato se estendia por pelo menos 3 mil metros quadrados, embora o tamanho total da Schola Saxonum ainda permaneça desconhecido.