Explorando a mansão de Verity: segredos da arquitetura claustrofóbica que evoca um ‘delírio febril’

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A arquitetura de Verity cria um labirinto psicológico que intensifica a trama do filme.

Com corredores intermináveis, espelhos que guardam segredos e ambientes com ângulos surpreendentes, a casa do filme Verity foi projetada para desorientar os espectadores. Na adaptação do suspense psicológico de Colleen Hoover, a arquitetura se torna uma parte essencial da narrativa, contribuindo para a tensão da história.

O diretor Michael Showalter e sua equipe de arte se inspiraram em uma residência modernista à beira de um lago, em Armonk, Nova York. Eles combinaram elementos da construção original com interiores criados em estúdio, com o intuito de transformar a mansão em um labirinto que confunde o público, sugerindo que sempre há algo oculto. As formas, a decoração e a disposição dos cômodos são utilizadas para representar visualmente os segredos e a instabilidade dos personagens.

No filme, a casa dos Crawford não é apenas um cenário, mas sim um elemento crucial da narrativa. Lowen Ashleigh, interpretada por Dakota Johnson, aceita um trabalho que mudará sua vida: concluir os livros de Verity Crawford, interpretada por Anne Hathaway, que está incapacitada. Para isso, Lowen se muda para a propriedade isolada e passa a conviver com Jeremy, o marido de Verity, e Crew, o filho do casal.

A tensão aumenta quando Lowen descobre um manuscrito repleto de revelações sombrias sobre a família, incluindo confissões de comportamentos cruéis. Jeremy, convencido da veracidade do texto, planeja eliminar sua esposa, enquanto Lowen se vê envolvida na trama. À medida que cartas surgem, a dúvida se instala sobre a veracidade do manuscrito, deixando o desfecho em aberto.

A incerteza também é refletida na arquitetura da casa. Michael Showalter desejava que a residência evocasse a sensação de um sonho febril, um espaço bonito, mas confuso. O desconforto é intensificado por ambientes escuros e elementos que remetem ao terror. A escolha da locação, feita pela gerente de produção, priorizou uma casa com personalidade, resultando na seleção da Beckoning Path, uma construção modernista do século XX.

Projetada por Jens Quistgaard, a casa combina proximidade com a água, linhas arquitetônicas marcantes e uma atmosfera inquietante, tornando-se ideal para a narrativa. Embora a propriedade estivesse fora da área de filmagem inicialmente planejada, a equipe decidiu mantê-la devido à sua importância visual, mesmo com o aumento dos custos de transporte e hospedagem.

A diretora de arte, Amy Williams, não buscou reproduzir fielmente a casa descrita no livro, já que Colleen Hoover não forneceu uma planta baixa detalhada. Isso permitiu à equipe explorar a arquitetura de forma criativa, misturando o modernismo da construção original com referências góticas e uma decoração que utiliza materiais naturais. A paleta de cores, com predominância de verdes, marrons e tons metálicos, contribui para a atmosfera da história.

A arquitetura de Verity se destaca ainda mais com a câmera percorrendo os interiores do filme. Muitas das locações foram construídas em estúdio, permitindo à equipe controlar as dimensões e ângulos, criando um ambiente desconfortável sem a necessidade de elementos sobrenaturais. Um exemplo é o corredor que leva ao quarto de Lowen, projetado para gerar a sensação de que algo está escondido nas proximidades.

O quarto é igualmente inquietante, com uma cama elevada e elementos de espelho que introduzem uma dimensão voyeurística. As linhas verticais e a disposição dos elementos criam uma atmosfera que pode lembrar uma prisão, reforçando o desconforto.

No banheiro, a pedra bruta parece avançar sobre o ambiente, moldando pias e a banheira, como se o cômodo estivesse inserido na rocha. Essa ideia foi inspirada tanto pelo interesse pessoal de Williams quanto pela paisagem natural da locação.

O escritório de Verity, por outro lado, apresenta uma estética mais delicada, com tons suaves de rosa e pêssego, criando um ambiente glamouroso que contrasta com a natureza perturbadora da personagem. Em vez de estantes de livros, o espaço é octogonal, com uma claraboia circular, funcionando como um santuário, mas escondendo segredos que só podem ser descobertos por observadores atentos.

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