Exportação de café cresce 3,6% em maio, mas receita registra queda de 16%
Exportações de café do Brasil crescem, mas receita cai devido à queda de preços
O Brasil exportou 3,089 milhões de sacas de 60 kg de café em maio de 2026, representando um aumento de 3,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este crescimento no volume embarcado foi impulsionado pela entrada da nova safra, que trouxe um aumento significativo nas exportações.
Apesar do aumento nas quantidades exportadas, a receita cambial apresentou uma queda de 16% em comparação ao mesmo período de 2025. Essa redução foi influenciada pela diminuição do preço da commodity no mercado internacional. O preço médio da saca caiu de US$ 433,69 em maio de 2025 para US$ 350,04 em maio de 2026, uma redução de 19,3%.
No acumulado de janeiro a maio de 2026, o Brasil exportou 14,745 milhões de sacas, o que representa uma queda de 12,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total para este intervalo foi de US$ 5,552 bilhões, mostrando um recuo de 14,6% em relação ao ano passado.
O desempenho positivo nas exportações de maio é atribuído à transição da entressafra para a nova colheita, com destaque para a entrada dos cafés canéforas, que são colhidos e comercializados antes dos arábicas. No entanto, a queda nas exportações ao longo de 2026 ainda reflete uma safra menor e uma base de comparação elevada em 2025, quando os embarques foram mais robustos.
EXPECTATIVA PARA O RESTO DO ANO
Para os próximos meses, as projeções indicam um aumento nas exportações, especialmente no segundo semestre, com o avanço da colheita de arábicas. O clima favorável na maior parte do cinturão cafeeiro brasileiro deve resultar em boa qualidade do café, produtividade elevada e maior volume disponível para exportação.
No entanto, o setor enfrenta alguns riscos. As tensões geopolíticas, a defasagem logística nos portos brasileiros e as incertezas sobre a política comercial dos Estados Unidos são algumas das preocupações apontadas. A guerra no Oriente Médio, por exemplo, tem encarecido os fretes marítimos para os importadores de café brasileiro, enquanto os gargalos portuários têm causado prejuízos e atrasos nos embarques.
