Exportações da indústria gaúcha registram crescimento de 15,6%, segundo Sistema Fiergs

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Crescimento nas exportações da indústria de transformação gaúcha é destaque em abril

As exportações da indústria de transformação do Rio Grande do Sul apresentaram um crescimento significativo de 15,6% em abril, se comparadas ao mesmo mês do ano anterior. O total de vendas externas alcançou US$ 1,4 bilhão, o que representa um aumento de US$ 193 milhões, impulsionado principalmente pelo setor alimentício, que teve embarques de US$ 520 milhões.

O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, destacou que esse crescimento é um sinal positivo para a indústria local. Ele enfatizou que, apesar dos desafios enfrentados, a qualidade dos produtos gaúchos tem garantido espaço no mercado internacional. Bier também mencionou que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode proporcionar uma oportunidade valiosa para um crescimento mais sólido nos próximos meses.

No entanto, o presidente alertou sobre a necessidade de cautela, uma vez que os altos juros no Brasil afetam a capacidade de investimento e a produtividade. Além disso, ele apontou a continuidade das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a instabilidade no Oriente Médio e as recentes ações da União Europeia em relação à carne bovina brasileira como fatores que merecem atenção.

O levantamento revelou que o crescimento das exportações foi impulsionado pelo desempenho positivo de 13 dos 23 segmentos industriais analisados. O setor de alimentos foi o grande destaque, com um aumento de 33,4% nas vendas externas, correspondendo a um acréscimo de US$ 130 milhões. Outros segmentos que contribuíram para este resultado foram coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com um crescimento de 75,7%, e celulose e papel, que também teve um aumento expressivo de 35,5%.

As exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos enfrentaram uma queda acumulada de 30,7% nos últimos nove meses, devido às tarifas americanas. Contudo, em abril, houve um leve aumento de 3,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, impulsionado pelo setor de celulose e papel, cujos embarques para o mercado americano cresceram impressionantes 2.128%.

Sem esse desempenho do setor de celulose e papel, as exportações para os EUA teriam registrado uma queda de 12,8%. Esse aumento nas vendas externas pode ser atribuído ao fato de que, em abril do ano passado, as tarifas recíprocas começaram a vigorar, o que antecipou embarques que ocorreriam em abril para março, afetando assim os resultados comparativos.

Em relação às tensões no Oriente Médio, as exportações da indústria gaúcha para a região totalizaram US$ 70,9 milhões, o que representa uma queda de 22,3% em comparação a abril de 2025. Essa retração foi principalmente impactada pela diminuição nas vendas de abate de aves, o principal item exportador para a região, que caiu 24,6%.

Apesar disso, o Kuwait apresentou um crescimento nas compras de 50,8%, enquanto o Qatar também registrou um aumento de 43,3%. Por outro lado, os Emirados Árabes Unidos foram responsáveis pela maior pressão negativa, com uma queda de 68,9% nas importações.

As importações do Rio Grande do Sul em abril de 2026 totalizaram US$ 1,2 bilhão, com um aumento de US$ 220 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior, resultando em uma alta de 23,5%. O segmento de automóveis, camionetas e utilitários destacou-se, totalizando US$ 185 milhões, com um aumento de US$ 20,9 milhões, especialmente em produtos provenientes da Argentina. Os fertilizantes, essenciais para a agricultura, somaram US$ 224,4 milhões, apresentando um crescimento de 62,7%.

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