Exportações de carne bovina do Brasil para os EUA crescem 524%
Exportadores brasileiros de carne bovina enfrentam restrições na União Europeia.
As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram um crescimento expressivo de 524,3% em setembro, em comparação com o mesmo mês de 2025, conforme dados recentes.
Apesar desse aumento, as vendas acumuladas ao longo do ano ainda apresentam uma queda significativa, refletindo as sobretaxas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros, que impactaram diretamente o comércio bilateral.
Entre janeiro e setembro, as exportações totais do Brasil para os Estados Unidos somaram US$ 27,5 bilhões, uma redução de 6,5% em relação ao ano anterior.
Esse montante representa uma diminuição de US$ 1,9 bilhão, o menor valor registrado para os primeiros nove meses do ano desde 2023.
No entanto, setembro trouxe uma recuperação, com as exportações alcançando US$ 3,5 bilhões, o que representa um aumento de 31,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Esse crescimento foi impulsionado tanto pela elevação de 3,1% na quantidade de produtos vendidos quanto por um aumento de 28% no preço médio das mercadorias exportadas.
- 🔎 O crescimento das exportações de carne bovina ocorre apesar das sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos, que se aplicam a diversos produtos brasileiros.
Carne bovina se destaca em meio a quedas de outros produtos
O desempenho da carne bovina também se reflete no acumulado do ano, com um aumento de 82,9% nas vendas para o mercado americano, totalizando US$ 1,72 bilhão.
A demanda por carne bovina é impulsionada pela restrição na oferta interna de gado nos Estados Unidos, devido a um ciclo de baixa na pecuária americana.
Esse resultado contrasta com a performance de outros produtos importantes da pauta exportadora brasileira.
Durante o mesmo período, as vendas de petróleo bruto para os Estados Unidos caíram 35,8%, enquanto as de café não torrado recuaram 20%.
As exportações de produtos semiacabados de ferro também apresentaram uma diminuição de 4,3%.
Setores exportadores brasileiros enfrentam dificuldades
A queda nas vendas para os Estados Unidos é evidente em três grandes setores da economia:
- Agropecuária;
- Indústria extrativa;
- Indústria de transformação, que abrange produtos industrializados.
Entre janeiro e setembro, as exportações para o mercado americano apresentaram uma redução de 17,8% na agropecuária, 32% na indústria extrativa e 1,2% na indústria de transformação.
Por outro lado, a situação é diferente em outros mercados internacionais, onde as exportações brasileiras cresceram 8,9% na agropecuária, 21,2% na indústria extrativa e 6,3% na indústria de transformação.
Apesar da retração nos EUA, os produtos industrializados ainda representam a maior parte das vendas brasileiras, com 84,4% do total exportado entre janeiro e setembro.
A queda de 1,2% nas exportações desse setor é a primeira desde 2020, mas os Estados Unidos continuam sendo o principal destino dos produtos industrializados brasileiros, superando a União Europeia, a China e o Mercosul.
Produtos com sobretaxa enfrentam perdas acumuladas
As exportações de produtos brasileiros que estão sujeitos a tarifas adicionais dos Estados Unidos apresentaram uma leve recuperação em setembro, mas ainda enfrentam quedas significativas no acumulado de 2026.
No mês, as vendas desses produtos cresceram 28,1%, totalizando US$ 1,46 bilhão. Entre os itens com tarifas mais elevadas, a alta foi de 27,8%, alcançando US$ 466,5 milhões.
Contudo, de janeiro a setembro, as exportações desse grupo diminuíram 25,4%, representando uma perda de US$ 1,4 bilhão em vendas.
Entre os dez produtos mais exportados aos Estados Unidos e que estão sujeitos a tarifas adicionais, nove apresentaram queda no acumulado do ano, com as maiores retrações sendo:
- Madeira de coní