Fabricantes chineses de memória são essenciais para recuperar a estabilidade do mercado de hardware

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Escassez de memória gera aumento de preços e novas oportunidades no mercado

O aumento significativo nos preços da memória tem causado preocupação entre consumidores e fabricantes. A escassez dos módulos DDR4 e DDR5 levou empresas a venderem equipamentos com memória insuficiente, enquanto a Apple anunciou um aumento de 20% nos preços de seus MacBooks e iPads, justificando a medida pela alta nos custos dos componentes.

Principais fabricantes de DRAM, como Samsung, SK hynix e Micron, têm redirecionado suas linhas de produção para memórias de alta largura de banda, utilizadas em aceleradores de inteligência artificial. Essa mudança deixou o mercado consumidor, que abastece dispositivos como computadores e celulares, em uma situação complicada.

Nesse cenário, duas empresas chinesas, CXMT e YMTC, surgem como potenciais soluções. Embora tenham sido consideradas secundárias no passado, agora representam uma esperança real para estabilizar um mercado que enfrenta preços exorbitantes.

Duas fabricantes, uma mesma oportunidade

A CXMT teve um crescimento impressionante, aumentando seu lucro líquido em mais de 1.688% em um único trimestre. A empresa firmou um contrato significativo com a Tencent para fornecer DRAM e já ocupa uma participação global de 7,67%, tornando-se a quarta maior fabricante de memórias do mundo e a líder na China.

Enquanto isso, a YMTC se destaca no segmento de chips NAND Flash, aumentando sua participação de mercado de 8% para 13% em um ano. A empresa está construindo uma nova fábrica em Wuhan, com produção em massa prevista para iniciar em 2026, o que pode posicioná-la como a terceira maior fabricante mundial de NAND. Além disso, a YMTC destinará parte de sua nova capacidade à produção de DRAM, entrando em um mercado dominado pela CXMT.

No entanto, é importante ter cautela. Durante a Computex, os preços da CXMT começaram a se aproximar dos praticados por seus concorrentes tradicionais, e uma parte considerável de sua produção ainda é destinada ao mercado chinês. As estimativas indicam que o aumento da capacidade produtiva dessas empresas só será sentido globalmente em 2027.

Outro aspecto a considerar é a integração da CXMT na lista 1260H do Pentágono, devido a supostos vínculos com o Exército de Libertação Popular da China. Isso levou a Apple a buscar a aprovação do governo dos EUA para adquirir chips da empresa sem enfrentar sanções. Mudanças na política americana podem impactar essa alternativa em um momento crítico.

A China pode não resolver essa crise rapidamente, mas é atualmente a única parte do cenário que está se movendo na direção certa. O sucesso dessa movimentação dependerá tanto da capacidade de suas fábricas quanto do contexto geopolítico que as envolve.

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