Favoritos do governo e da oposição para a relatoria da 6×1 no Senado e as possíveis vantagens para Alcolumbre
Definição do relator da PEC da escala 6×1 é crucial para reaproximação entre Lula e Alcolumbre.
A escolha do relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 se tornou um ponto central na relação entre o presidente e o Senado. O governo busca um aliado para liderar a proposta, enquanto a oposição tenta emplacar um nome que possa influenciar a discussão e o andamento do processo legislativo.
Com a PEC já aprovada pela Câmara, o governo tem pressa para evitar mudanças significativas no texto no Senado, pois isso exigiria um retorno à Câmara dos Deputados e prolongaria a tramitação. A estratégia é garantir que a Comissão de Constituição e Justiça tenha um relator que conduza a proposta de forma a evitar novas negociações que possam atrasar a votação antes das eleições.
Omar Aziz, senador do PSD, é considerado uma das principais opções para o relator, uma vez que faz parte da base governista e possui apoio do Centrão, o que pode facilitar a aprovação da PEC.
A oposição, por sua vez, defende a indicação de Efraim Filho, do PL, argumentando que isso lhes conferiria maior influência sobre o parecer e a velocidade da discussão. A resistência da oposição à votação antes das eleições já foi claramente manifestada, com aliados de Flávio Bolsonaro defendendo que a discussão sobre a jornada de trabalho seja postergada.
O papel de Alcolumbre nesse contexto
O presidente do Senado enfrenta a decisão de acelerar ou retardar a tramitação da PEC, podendo assim influenciar o controle que o governo terá sobre uma de suas principais bandeiras eleitorais. Essa dinâmica se torna ainda mais relevante em um cenário onde as relações entre Lula e Alcolumbre mudaram significativamente nas últimas semanas.
Após um período de distanciamento, os dois se reaproximaram, especialmente após um jantar promovido por um ministro do Supremo Tribunal Federal. Desde então, houve vários encontros entre eles, resultando na determinação de Alcolumbre para encaminhar não apenas a PEC da escala 6×1, mas também outras pautas de interesse do governo.
A relação entre Alcolumbre e Lula também visa consolidar a posição do senador para as eleições de 2027, buscando apoio do presidente em sua reeleição. Essa estratégia é crucial, pois o calendário legislativo está apertado, com uma janela de esforço concentrado programada antes das eleições, onde a aprovação da PEC exigirá dois turnos e o apoio de dois terços dos senadores.
Assim, Alcolumbre pode facilitar o avanço da proposta desejada pelo governo, sem necessariamente se comprometer com uma votação imediata. Ele já indicou que ainda está em processo de escuta dos senadores antes de definir uma data para o plenário, mas há expectativa de que a votação ocorra entre os turnos eleitorais, na primeira semana de outubro.
