Fazendeiro na Colômbia: A Luta Contra o Narcotráfico e a Impossibilidade da Liberdade

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Desafios enfrentados por agricultores colombianos na substituição do cultivo de coca

O agricultor de coca Perea decidiu abandonar o cultivo da planta, mas enfrenta dificuldades financeiras que o levaram a voltar a plantar. Ele arrancou os arbustos em sua propriedade na província de Meta, na Colômbia, e os substituiu por culturas legais, como mandioca e banana.

Perea participou de um programa governamental de substituição de cultivos, projetado para ajudar agricultores a deixarem o plantio de coca. No entanto, a assistência prometida não se concretizou, e a falta de infraestrutura dificultou a venda de suas novas produções.

Desiludido, ele retornou ao cultivo de coca em 2024, afirmando que, diante da falta de apoio, não havia outra opção. A folha de coca, tradicionalmente utilizada por comunidades indígenas, hoje é amplamente processada para a produção de cocaína, com a Colômbia respondendo por cerca de 70% da oferta global da droga.

Lucas Marín Llanes, especialista na economia da coca, destaca as vantagens do cultivo, como colheitas rápidas e fácil comercialização, que incentivam os agricultores a continuar plantando. Apesar dos programas de substituição, o plantio de coca atingiu níveis recordes, superando 250 mil hectares, e muitos agricultores se sentem decepcionados com os resultados.

Elena Hernández, outra agricultora, se mudou para a região de cultivo de coca na década de 1990, atraída por melhores salários. Embora tenha aderido ao Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS), que prometia apoio financeiro e técnico, ela também enfrentou atrasos nos pagamentos e falta de assistência. O PNIS surgiu como parte do acordo de paz de 2016 entre o governo e as FARC, mas sua eficácia foi comprometida por mudanças nas prioridades políticas.

Enquanto alguns agricultores, como Doralba Bejarano, relataram melhorias na situação após o início do apoio governamental, muitos ainda enfrentam desafios significativos. A demanda global por cocaína, especialmente nos EUA e na Europa, e a instabilidade de segurança na Colômbia complicam ainda mais a situação.

O governo atual tem tentado abordar esses problemas através do programa RenHacemos, que busca não apenas substituir a cultura da coca, mas também diversificar as economias locais e melhorar a infraestrutura. No entanto, analistas permanecem céticos quanto à eficácia dessas abordagens a longo prazo.

Perea expressa sua descrença em receber apoio governamental em breve, afirmando que a situação continua crítica. Ele vê o cultivo de coca como sua única opção de sobrevivência, refletindo a realidade de muitos agricultores que se sentem abandonados pelo Estado.

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