Filiação de Flávio ao Missão registra rua dos bandidos e número 666
Irregularidade na filiação de Flávio Bolsonaro gera investigação e impede candidatura ao Planalto.
O partido Missão divulgou um relatório técnico sobre a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao seu quadro, realizada por um autor não identificado. O documento revela que o registro foi feito com dados genéricos, incluindo um endereço fictício na “Rua Dos Bandidos, nº 666”.
A ficha de filiação, protocolada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que o endereço atribuído ao senador localiza-se no “Bairro Miliciano, Rio de Janeiro”, e está associado a um CEP inexistente. Essa informação levanta suspeitas sobre a veracidade dos dados fornecidos, indicando que foram utilizados de forma indevida.
Além do endereço, o relatório identifica um CPF genérico, 123.456.789-09, e um título eleitoral que não corresponde ao parlamentar. O partido considera que o uso do código falso sugere que o nome foi utilizado sem autorização por um terceiro.
Nos campos exigidos para o registro, o autor da filiação utilizou informações de contato do gabinete de Flávio no Senado. A filiação foi registrada no dia 2 deste mês, uma semana após a convenção nacional do PL, onde Flávio foi confirmado como candidato à presidência da República.
O autor da falsa filiação tentou ainda realizar uma doação eleitoral em nome do senador, no valor de R$ 4,7 mil. Duas tentativas de pagamento via Pix foram feitas, mas ambas foram bloqueadas pelo sistema de segurança. Como o pagamento não foi finalizado, a filiação ficou registrada como “sem contribuição”.
A situação foi revelada quando a campanha de Flávio tentou registrar sua candidatura ao Planalto e descobriu que ele constava no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão, o que impediu a conclusão do pedido de registro pelo PL.
Inicialmente, a equipe de campanha suspeitou de uma invasão ao sistema, mas o TSE descartou a possibilidade de ataque hacker. A Corte informou que a filiação foi realizada através do uso indevido da ferramenta partidária por alguém que possuía credenciais do Missão.
O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Judiciária. Em seguida, ele restabeleceu a filiação de Flávio ao PL, considerada contínua desde 30 de novembro de 2021, e ordenou a exclusão do vínculo com o Missão.
A decisão também liberou o Sistema de Candidaturas para que o PL pudesse prosseguir com o registro da chapa presidencial, além de determinar a preservação dos registros de acesso e o encaminhamento do caso à Polícia Federal para investigação.
