Fiocruz anuncia produção de medicamento para tratamento da esclerose no SUS

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Produção nacional de cladribina oral promete ampliar o acesso a tratamento de esclerose múltipla pelo SUS.

O medicamento cladribina oral, já disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com esclerose múltipla, começará a ser produzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Essa iniciativa visa reduzir os custos de aquisição, permitindo que um maior número de pacientes tenha acesso à medicação.

Comercializado sob o nome Mavenclad, o medicamento foi incorporado ao SUS em 2023 para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) altamente ativa. Isso abrange aqueles que enfrentam surtos frequentes ou uma rápida progressão da doença, mesmo após o uso de terapias de base.

Atualmente, o tratamento com cladribina tem um custo médio de cerca de R$ 140 mil ao longo de cinco anos. Estima-se que aproximadamente 3.200 pessoas no Brasil apresentem a forma ativa da doença, enquanto mais de 30 mil convivem com a esclerose múltipla do tipo remitente-recorrente, que é caracterizada por episódios de surtos intercalados com períodos de remissão.

A esclerose múltipla é uma doença crônica degenerativa que afeta o sistema nervoso central, podendo evoluir de maneira lenta ou rápida. Os sintomas variam amplamente entre os pacientes, com alguns enfrentando consequências severas, como cegueira, paralisia e comprometimento das funções cognitivas.

A cladribina é o primeiro tratamento oral de curta duração com eficácia prolongada no controle da EMRR, o que lhe garantiu um lugar na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Estudos recentes, apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS), indicaram que pacientes tratados com cladribina apresentaram uma redução significativa nas lesões neuronais ao longo de dois anos. Além disso, 81% dos participantes conseguiram andar sem apoio e mais da metade não precisou de outros medicamentos.

Parceria

A produção nacional do medicamento será fruto de uma parceria entre o Farmanguinhos, instituto da Fiocruz, a farmacêutica Merck, responsável pela fabricação do Mavenclad, e a indústria química-farmacêutica Nortec.

A diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, destacou que este será o primeiro medicamento produzido pelo Instituto voltado especificamente para o tratamento da esclerose múltipla.

Silvia enfatizou: “A parceria reafirma o nosso compromisso com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos inovadores, produzidos em território nacional. É um caminho importante para a transformação de políticas públicas em cuidado real para quem mais precisa.”

O Instituto da Fiocruz se dedica à produção de terapias de alto valor, especialmente para doenças negligenciadas.

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ressaltou que essas parcerias estreitam os laços tecnológicos da Fundação com seus parceiros, além de destacar a importância estratégica dos laboratórios públicos. “Consolidar o Complexo Econômico e Industrial da Saúde é fundamental para garantir a sustentabilidade dos programas do SUS, gerando empregos especializados, reduzindo preços e mantendo a qualidade dos produtos.”

A Fundação está em vias de formalizar mais dois acordos de parceria com a Merck, que envolvem a produção de outra terapia para esclerose, a betainterferona 1a, e de um medicamento destinado ao tratamento da esquistossomose em crianças.

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