Fiocruz coordena estudos sobre saúde na Bacia do Rio Doce com recursos do fundo de reparação
Fiocruz coordenará estudos sobre saúde na Bacia do Rio Doce com investimento significativo.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi escolhida pelo Ministério da Saúde para liderar a Rede de Pesquisas da Bacia do Rio Doce. O objetivo é investigar a situação de saúde das populações expostas e dos territórios afetados pelo rompimento da barragem de Fundão.
O projeto será financiado com recursos do Fundo Rio Doce, que foram liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Abrangerá 49 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo, conforme estipulado no Novo Acordo do Rio Doce, assinado no final de 2024.
O BNDES confirmou que já foi repassada a primeira parcela, no valor de R$ 22,27 milhões. Até 2028, as liberações para o projeto devem totalizar R$ 66,8 milhões. Como gestor do Fundo Rio Doce, o banco é responsável por liberar os valores para os projetos que receberem aprovação das instâncias de governança estabelecidas no acordo.
A Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde, terá a tarefa de implantar e operacionalizar a rede, promovendo a integração entre as diversas instituições participantes. A proposta envolve a colaboração de entidades científicas com experiência na área de saúde.
Os estudos visam identificar e avaliar os impactos à saúde humana decorrentes do desastre, além de ampliar a compreensão sobre os efeitos enfrentados pelas comunidades. Serão realizados levantamentos epidemiológicos, revisões bibliográficas e a criação de uma sala de situação para monitoramento contínuo e divulgação de informações.
Mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração foram lançados na bacia do Rio Doce após o rompimento da barragem em novembro de 2015, impactando a foz e a costa marinha. Estima-se que mais de 2,3 milhões de pessoas em Minas Gerais e no Espírito Santo tenham sido afetadas por essa tragédia. Os efeitos incluem alterações na qualidade da água, solo, alimentos e ar, além de problemas psicossociais que perduram ao longo do tempo.
O Novo Acordo do Rio Doce estabelece um total de R$ 100 bilhões para ações de reparação. Desse montante, R$ 49,1 bilhões serão investidos no Fundo Rio Doce para apoiar iniciativas sob a responsabilidade do governo federal. O BNDES começou as operações do fundo em junho de 2025 e é encarregado de liberar os recursos para os projetos aprovados no âmbito do acordo.