Flamengo destaca risco de R$ 430 milhões em perdas devido à proibição das apostas

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Flamengo alerta sobre perdas financeiras devido à proibição das apostas esportivas

O vice-presidente-geral do Flamengo, Flavio Willeman, destacou que a proibição das apostas esportivas no Brasil pode resultar em uma perda significativa de aproximadamente R$ 430 milhões em receitas anuais para o clube. A declaração foi feita durante audiência pública no STF, onde o dirigente expressou preocupações sobre os impactos da medida nas finanças do clube.

A audiência, conduzida pelo ministro Luiz Fux, teve como foco a Medida Provisória (MP) 1.394/2026, que vetou a exploração das apostas de quota fixa, conhecidas como bets, no país. Willeman enfatizou que o Flamengo havia estruturado seu planejamento financeiro para os próximos anos com base em contratos de patrocínio com empresas de apostas, que estavam autorizadas pela legislação vigente à época.

“O Flamengo se organizou financeiramente para os próximos quatro, cinco anos com base no contrato assinado de acordo com a legislação vigente.”

O dirigente explicou que o clube assumiu obrigações financeiras com atletas e funcionários, contando com a continuidade dos acordos comerciais. Ele ressaltou que a regulamentação aprovada pelo Congresso Nacional criou a expectativa de estabilidade nos contratos ao longo dos anos.

Impactos sobre funcionários e atletas olímpicos

Willeman alertou que a perda de receitas poderá afetar mais de 1.200 empregados do clube, além de comprometer investimentos em diversas modalidades esportivas. Ele também destacou o papel do Flamengo na formação de atletas olímpicos, afirmando que o clube é o segundo maior fornecedor de atletas olímpicos entre os clubes multiesportivos do mundo, apenas atrás de uma instituição russa.

A redução de recursos, segundo ele, poderá prejudicar a preparação dos atletas para competições internacionais futuras.

Flamengo cobra segurança jurídica

Outro ponto crucial levantado por Willeman foi a necessidade de garantir a segurança jurídica dos contratos firmados antes da proibição das apostas. O vice-presidente argumentou que o Flamengo confiou na regulamentação aprovada pelo Congresso e na subsequente implementação pelo governo federal, o que permitiu a formalização de acordos comerciais e compromissos financeiros de longo prazo.

Ele alertou que a alteração nas regras pode comprometer a previsibilidade necessária para o funcionamento das instituições esportivas e de outras atividades econômicas no Brasil. Willeman enfatizou que a manifestação não visava discutir os objetivos sociais da medida provisória, mas sim os efeitos adversos sobre contratos já existentes, defendendo que mudanças na legislação não devem desestabilizar acordos previamente estabelecidos.

“É preciso que se pondere, ministro, os riscos que essa medida provisória traz para a institucionalidade e para as atividades econômicas do Brasil.”

STF discute proibição das apostas

A audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux busca reunir informações sobre os impactos econômicos, sociais e jurídicos da proibição das apostas esportivas no Brasil. Além do Flamengo, representantes de outros clubes, entidades esportivas, órgãos do governo e associações do setor também participam do debate.

A discussão abrange, entre outros aspectos, os efeitos da medida sobre contratos de patrocínio, a proteção dos consumidores e os possíveis impactos da proibição no mercado de apostas. As manifestações coletadas durante a audiência servirão como base para a análise da constitucionalidade da medida pelo Supremo Tribunal Federal.

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