Flávio Bolsonaro designa Deltan para examinar sigilos de Lula no TSE
Flávio Bolsonaro contrata Deltan Dallagnol para analisar sigilos de Lula antes do segundo turno.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro decidiu contratar Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato e agora senador pelo Paraná, para analisar documentos referentes à abertura dos sigilos bancários e fiscais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A escolha foi anunciada três dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, que ocorrerá no domingo. Deltan será responsável por examinar extratos, relatórios e informações financeiras do presidente e de pessoas próximas a ele, de acordo com a documentação que foi disponibilizada.
A campanha de Flávio justificou a escolha pela experiência de Dallagnol nas investigações da Lava Jato, especialmente em casos que envolveram membros do PT e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
A campanha destacou que se Lula afirma não ter nada a esconder, a documentação deve ser analisada com rigor e sem concessões. A nota divulgada pela campanha enfatiza que o que realmente importa são os dados contidos nos documentos, e não apenas o discurso.
Deltan Dallagnol terá a tarefa de investigar registros financeiros e fiscais apresentados pela campanha petista, incluindo informações sobre a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, o filho do presidente e ex-assessores.
Entre as pessoas que serão analisadas está Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência. A campanha de Flávio afirmou que Deltan irá examinar cada extrato e relatório para desconstruir a narrativa petista e identificar possíveis inconsistências.
Além disso, a equipe do senador ressaltou que a documentação deve ser avaliada antes de ser considerada suficiente para demonstrar transparência. A campanha defende que a sociedade brasileira tenha acesso à verdade e que promessas de transparência não sejam vistas como provas sem uma análise criteriosa dos fatos.
Até o momento do anúncio da escolha de Deltan, não haviam sido apresentadas conclusões de auditoria sobre os documentos. A escolha de Dallagnol ocorre em meio à disputa entre os candidatos pela abertura de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos.
O desafio foi lançado por Lula durante um debate, e a campanha petista apresentou uma autorização ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condicionada à reciprocidade de Flávio. O senador, por sua vez, apresentou uma petição com 19 exigências, incluindo informações sobre familiares e assessores do presidente.
A campanha de Lula afirmou aceitar as condições estabelecidas. A advogada de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, declarou que os dados do senador só serão entregues após a análise dos documentos fornecidos pelos adversários.
A advogada não especificou uma data para a entrega das informações de Flávio, mas garantiu que a campanha está pronta para apresentar o que é público assim que a análise for concluída.
Deltan Dallagnol ganhou notoriedade como coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, onde participou da apresentação da denúncia contra Lula no caso do apartamento triplex. Lula foi condenado e preso, mas suas condenações foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.
Deltan deixou o Ministério Público Federal em 2021, ingressou na política e foi eleito deputado federal em 2022, mas teve seu registro de candidatura cassado em 2023. Ele foi eleito senador pelo Paraná em 2026, mas sua candidatura ainda enfrenta questionamentos na Justiça Eleitoral.
Representantes das campanhas de Lula e Flávio se reuniram no TSE para discutir a documentação relacionada ao desafio. A equipe do presidente se comprometeu a ampliar o alcance das autorizações conforme as condições apresentadas pelo adversário.
A campanha de Flávio informou que pretende verificar se os documentos de Lula atendem às exigências antes de apresentar seus próprios dados. A advogada do senador reiterou que a entrega das informações ocorrerá após uma análise cuidadosa.
A decisão da campanha de Flávio pode adiar a divulgação das informações para depois do segundo turno das eleições.