Flávio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar, relator da comissão do INSS, como vice
Flávio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar como vice na corrida presidencial.
O senador Flávio Bolsonaro anunciou a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu candidato a vice-presidente na disputa pelo Palácio do Planalto.
A decisão encerra semanas de negociações e tentativas frustradas de formar uma aliança com partidos do centrão. A escolha de Gaspar também é um movimento estratégico para conquistar o eleitorado nordestino, onde Flávio enfrenta desafios significativos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
Alfredo Gaspar, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário estadual de Segurança Pública, atualmente é relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. Ele se filiou ao PL em março, inicialmente com a intenção de disputar uma vaga no Senado.
A presença de Gaspar na chapa reforça a prioridade que Flávio dá à segurança pública em sua campanha. O senador tem adotado um discurso mais rigoroso sobre criminalidade e pretende utilizar a experiência de Gaspar para fortalecer essa narrativa.
Como relator da CPMI do INSS, Gaspar associou fraudes em aposentadorias e pensões ao governo Lula, elaborando um relatório que menciona o presidente, enquanto dedica menos atenção a membros da administração anterior.
A composição da chapa, formada apenas por homens do PL, vai contra o plano inicial que buscava uma mulher de um partido aliado para agregar votos e representar setores específicos do eleitorado, como mulheres e evangélicos.
A falta de coligações reduziu as opções disponíveis para Flávio, uma vez que partidos como PP, União Brasil e Republicanos decidiram não apoiar formalmente sua candidatura presidencial.
Sem essas alianças, Flávio terá menos tempo de propaganda eleitoral na televisão em comparação a Lula, que conta com o suporte de outras seis legendas.
Entre as opções que Flávio considerou estava Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. No entanto, o Republicanos optou por manter uma posição neutra na disputa presidencial. Mesmo assim, Flávio elogiou Daniella e expressou interesse em tê-la na chapa.
Outro nome cogitado foi o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a considerar a possibilidade de integrar a chapa após conversas com aliados de Flávio, mas o PP vetou essa aliança, optando pela neutralidade após consultar seus diretórios estaduais.
Flávio reconheceu a dificuldade em definir um vice, descrevendo a busca como uma “novela” e admitindo que a decisão poderia ser adiada até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Contudo, horas depois, o PL anunciou que a escolha estava concluída.
A dificuldade em formar uma chapa mais ampla foi atribuída por políticos do centrão à falta de diálogo e articulação do senador. Membros do PL, por outro lado, afirmam que o poder de negociação do governo Lula afastou potenciais aliados.
A campanha também buscava uma mulher para reduzir a rejeição de Flávio entre as eleitoras. Nesse contexto, a dentista Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, começou a participar de forma mais ativa dos eventos eleitorais.
A aproximação com o público feminino ganhou relevância após Michelle Bolsonaro relatar ter sido maltratada pelo enteado. Um mês depois, ambos sinalizaram uma reconciliação, e a ex-primeira-dama aceitou um pedido público de desculpas, prometendo colaborar com a campanha.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou que não repetiria o gesto de colocar o boné de Donald Trump, minimizando a influência de Eduardo Bolsonaro sobre tarifas e defendendo medidas estaduais para mitigar o impacto sobre empresas brasileiras.
