Flávio Bolsonaro não esclarece repasse de R$ 61 milhões da Vorcaro

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Flávio Bolsonaro terceiriza prestação de contas sobre financiamento do filme “Dark Horse”.

BRASÍLIA, DF – O presidenciável Flávio Bolsonaro, do PL, não cumpriu a promessa de transparência sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, delegando a responsabilidade de prestação de contas à produtora Go Up Entertainment. A situação levanta questões sobre a origem dos recursos e a transparência na gestão do fundo Havengate, que intermediou os repasses financeiros.

Recentemente, surgiram revelações sobre um acordo financeiro que envolveu Flávio e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Mensagens trocadas entre eles indicam que o senador solicitou R$ 134 milhões para a produção do filme, sendo que aproximadamente R$ 61 milhões já teriam sido pagos. As transações ocorreram por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, vinculada a Vorcaro, para o fundo Havengate, localizado no Texas, EUA.

A Polícia Federal iniciou uma investigação para verificar se os recursos destinados ao filme foram utilizados para cobrir despesas pessoais de Flávio Bolsonaro. Em uma entrevista, o senador afirmou que solicitou uma prestação de contas detalhada à produtora e ao fundo, pedindo que isso fosse feito de maneira transparente em um prazo de 30 dias.

Flávio também mencionou que estava disposto a divulgar o contrato de financiamento do filme, desde que seus advogados assim o permitissem. Ele alegou não conhecer Vorcaro anteriormente devido a uma cláusula de confidencialidade presente no contrato.

Em junho, a campanha de Flávio Bolsonaro declarou que a Go Up já havia prestado contas, embora isso não tenha sido feito publicamente. A prestação ocorreu no contexto de um inquérito da Polícia Civil de São Paulo, que investiga se houve desvio de recursos de um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment.

Recentemente, o ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a Polícia Federal a acessar as provas coletadas pela Polícia Civil de São Paulo relacionadas à produtora, o que pode fortalecer a investigação sobre a destinação de emendas parlamentares à Go Up.

O balanço apresentado pela Go Up Entertainment foi divulgado na Folha de S.Paulo, onde a produtora forneceu um laudo de uma perícia privada. Este laudo, baseado em contratos e extratos bancários, indicou que o custo do filme até o momento é de aproximadamente R$ 75,2 milhões, financiado por investimentos privados, sem evidências de uso de verbas públicas.

Entretanto, a defesa não forneceu informações detalhadas sobre os financiadores do filme, nem sobre despesas específicas, como pagamento de elenco e logística. O fundo Havengate também firmou um contrato para investimento no filme, mas sem fornecer detalhes sobre os aportes.

Flávio Bolsonaro, ao ser questionado sobre a transparência na prestação de contas, afirmou que o assunto “Dark Horse” é uma página virada. Seus aliados sustentam que a prestação já foi realizada e publicada, referindo-se ao laudo da defesa.

Na última segunda-feira, Flávio reiterou que a prestação de contas já foi feita, mas ao ser indagado sobre a divulgação do contrato com Vorcaro, ele desviou o foco para questões políticas atuais, alegando que o governo Lula deve explicações mais urgentes.

A assessoria de Flávio reafirmou que a responsabilidade pela divulgação do balanço era da Go Up e que não há irregularidades no financiamento do filme. Quanto ao fundo Havengate, a assessoria alegou que está sujeito a regras de confidencialidade do governo dos EUA, o que impossibilita a divulgação do contrato com Vorcaro.

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