Flávio compartilhava despesas com suspeito de lavagem de dinheiro do INSS, revela e-mail

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Novas evidências ligam Flávio Bolsonaro a investigações de lavagem de dinheiro

Emails obtidos pela Polícia Federal (PF) no iCloud do advogado Willer Tomaz sugerem que o senador Flávio Bolsonaro (PL) compartilhou acesso a uma conta empresarial no Santander com Tomaz, que é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a desvios do INSS. Ambos negam qualquer vínculo financeiro.

No dia 22 de maio de 2025, Fayla Zulmira Menezes, funcionária do escritório de Tomaz, pediu ao Santander a remoção de uma conta chamada “Flávio Bolsonaro” do usuário master do advogado. O banco confirmou a exclusão no mesmo dia. Essa conta estava vinculada à Alcazar Holdings, uma empresa localizada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio.

A PF afirma que os documentos coletados indicam a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre as movimentações financeiras de Tomaz, suas empresas e possíveis ligações com agentes públicos. A operação investiga fraudes que podem ter causado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões a aposentados devido a descontos indevidos.

Em agosto, Tomaz foi alvo de uma operação de busca e apreensão, sob suspeita de lavagem de dinheiro desviado para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também sob investigação. A PF descreve empresas e escritórios associados a Tomaz como um possível centro financeiro, patrimonial e logístico para beneficiários do esquema.

A investigação também revelou que Flávio e sua família realizaram voos internacionais pagos por empresas ligadas a Tomaz em 2024 e 2025. A Alcazar Holdings custeou viagens em um jato executivo compartilhado. Em janeiro de 2025, Flávio, sua esposa, suas duas filhas e Tomaz viajaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a Brasília.

Outra empresa, a Cathedral Holdings, financiou viagens pela NetJets, com deslocamentos identificados entre Lisboa, Nice e Paris, incluindo viagens com as famílias. Tomaz afirmou que os passageiros eram seus convidados e que utilizou horas de sua cota pessoal para cobrir um dos voos.

Flávio Bolsonaro se pronunciou, afirmando que nunca teve uma conta cujo usuário master fosse Willer Tomaz ou qualquer empresa associada a ele. Negou ter criado qualquer usuário nas plataformas mencionadas e caracterizou as acusações como falsas, sugerindo que têm motivação eleitoral.

Willer Tomaz também se defendeu, afirmando que a conta mencionada nunca foi dele e que não criou um usuário em nome do senador. Ele alegou que a relação entre eles é apenas de amizade, sem laços comerciais ou financeiros, e anunciou que tomará medidas judiciais contra a divulgação do que considera acusações infundadas.

A PF continua a investigar possíveis conexões de Tomaz com outros envolvidos no esquema previdenciário. O advogado já havia sido preso em 2017 em uma investigação sobre propinas relacionadas à JBS, mas a denúncia foi posteriormente rejeitada por falta de provas.

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