Flávio é investigado em novos desdobramentos do caso Master
Flávio Bolsonaro é investigado em inquérito ligado ao Banco Master e Daniel Vorcaro.
Documentos recentemente divulgados sobre o Banco Master e seu ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, revelam que Flávio Bolsonaro está sob investigação no inquérito relacionado ao filme “Dark Horse”. A apuração também envolve a atuação de Sicário e viagens custeadas por Vorcaro a diretores do Banco Central.
Na quinta-feira (10), o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu tornar públicos os documentos sobre o Banco Master, exceto aqueles que possam comprometer a continuidade das investigações. O relator do caso, ministro André Mendonça, atendeu à solicitação, retirando o sigilo de 14 procedimentos associados ao inquérito principal.
A decisão de Fachin ocorre em um contexto de crise no Supremo Tribunal Federal, acentuada por um relatório produzido por Mendonça que revelou conexões entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Este embate se intensificou a aproximadamente 30 dias do primeiro turno das eleições de 2026.
Daniel Vorcaro, que se encontra preso, é suspeito de liderar uma das maiores fraudes financeiras do Brasil. As investigações indicam que ele tinha relações próximas com figuras proeminentes da política, incluindo ministros do STF, como Moraes e Dias Toffoli.
Com Moraes, Vorcaro trocou mensagens sobre o inquérito que o investiga, inclusive no dia de sua prisão. Com Toffoli, estabeleceu negócios, como um resort, que reforçam a complexidade de suas interações.
Além disso, Vorcaro era líder de um grupo chamado “A Turma”, que, sob a coordenação de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, buscava intimidar indivíduos, inclusive jornalistas, e acessar informações sigilosas.
O ex-banqueiro também estava envolvido em práticas de corrupção, pagando propinas a membros do Banco Central. Embora muitos detalhes já tivessem sido divulgados anteriormente, a quebra de sigilo trouxe à tona novas informações significativas.
Entre os dados revelados, destaca-se que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado desde julho no inquérito que analisa a produção do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativas de golpe de Estado.
A Polícia Federal investiga possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, com indícios de que recursos foram utilizados para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Relatórios indicam que Flávio negociou diretamente com Vorcaro a transferência de pelo menos US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 122,7 milhões) para o filme, dos quais pelo menos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 62,9 milhões) foram efetivamente pagos, conforme documentos da investigação.
A quebra de sigilo também expôs detalhes sobre a atuação de subordinados de Vorcaro. O ex-banqueiro financiou viagens e jantares internacionais para servidores do Banco Central, conforme relatórios da PF enviados ao STF.
Entre as despesas, estão viagens do ex-chefe de Supervisão Bancária, Belline Santana, e do ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, que foram custeadas por Vorcaro para Paris e a Disney, respectivamente.