Flávio e Tarcísio divulgam vídeo falso sobre ato em apoio a Lula e TSE toma providências
Vídeo manipulado associava consumo de drogas a manifestação pró-Lula
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e aliados compartilharam um vídeo que erroneamente associava uma jovem supostamente consumindo cocaína a uma manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no último domingo na Avenida Paulista.
A gravação já circulava na internet meses antes do protesto, mas foi utilizada para insinuar que o consumo de drogas era uma característica dos participantes do ato. A campanha petista recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devido à disseminação das imagens.
O ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que Flávio Bolsonaro e outros envolvidos retirassem as publicações de suas redes sociais em um prazo de 24 horas. Ele destacou a possibilidade de “grave manipulação por descontextualização” ao associar imagens pré-existentes a eventos posteriores.
O vídeo, que mostra uma jovem com cabelos vermelhos em uma cena sugestiva de consumo de substâncias, foi divulgado em um canal de WhatsApp criado para mobilizar apoiadores durante o segundo turno das eleições presidenciais.
Com a legenda “Militantes usando substâncias supostamente ilícitas em manifestação”, a gravação foi identificada em páginas argentinas nas redes sociais desde junho, quatro meses antes do ato na Avenida Paulista, o que comprova que não poderia ter sido filmada durante a manifestação.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também compartilhou a gravação, mas não explicou sua origem. Ele contrapôs imagens de brasileiros vestindo verde e amarelo a cenas de vandalismo, sem esclarecer a inclusão do vídeo questionado.
Embora danos tenham sido registrados em estações de metrô após o protesto, não há evidências que conectem a jovem do vídeo a esses eventos. O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) incentivou a circulação das imagens em um áudio, fazendo referência à depredação e ao uso de substâncias ilícitas.
Na decisão do TSE, o ministro Bellizze enfatizou que o uso de imagens anteriores a um evento, sem esclarecimento de sua origem, pode induzir o público a acreditar que representam fatos ocorridos naquele momento, configurando uma forma grave de manipulação eleitoral.
A ordem de retirada das publicações incluiu não apenas Flávio Bolsonaro, mas também Carlos Bolsonaro, Pablo Marçal e Rony Gabriel. Tarcísio de Freitas, apesar de ter compartilhado o vídeo, não foi incluído na determinação judicial.
A decisão é provisória e será analisada pelo plenário do TSE. A campanha de Flávio Bolsonaro defendeu que o canal “Tropa do Flávio” é um meio legítimo de comunicação e mobilização digital, alegando que não propaga fake news, embora não tenha esclarecido a origem da gravação.
O presidente Lula participou da manifestação em São Paulo, ao lado de ministros e representantes de movimentos estudantis, pedindo aos apoiadores que mobilizassem eleitores para o segundo turno e apresentando propostas para um potencial novo mandato.