Flávio pode se tornar o primeiro presidente evangélico eleito pelo voto direto
Disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro marca as eleições presidenciais.
Com a proximidade do primeiro turno das eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se destacam nas pesquisas como os principais candidatos a uma vaga no segundo turno. Lula, um dos presidentes católicos romanos do Brasil, busca consolidar seu apoio, enquanto Flávio, se eleito, se tornaria o primeiro protestante a assumir o cargo por voto direto.
Historicamente, dos 36 presidentes que governaram o Brasil, 28 eram católicos romanos. Essa predominância inclui todos os presidentes da Nova República, exceto Fernando Henrique Cardoso, que se declarou agnóstico. Getúlio Vargas também foi um dos poucos a não professar a fé católica, assim como Michel Temer, que, apesar de ser católico romano, pertencia à corrente maronita.
Apenas dois presidentes protestantes já ocuparam a presidência: um de forma interina e o outro por meio de voto indireto. O primeiro, Café Filho, era presbiteriano e assumiu após o suicídio de Getúlio Vargas, enquanto Ernesto Geisel, luterano, foi eleito indiretamente durante o regime militar.
Além disso, houve quatro presidentes que não declararam religião: Carlos Luz, José Linhares, Epitácio Pessoa e Washington Luís. Os dois últimos foram educados em um período em que o catolicismo era a religião oficial do Brasil.
Religião de Flávio
Flávio Bolsonaro, embora filho de pai católico, se identifica como evangélico desde o início de sua carreira política. Ele participou de diversas cerimônias de batismo conduzidas por pastores protestantes, incluindo rituais no rio Jordão, em Israel, e na Igreja Comunidade das Nações, em Brasília.
O batismo na Comunidade das Nações, realizado em 2024, simbolizou um fortalecimento das relações de Flávio com a liderança evangélica. No entanto, essa aproximação também trouxe desafios, especialmente no que diz respeito ao eleitorado católico.
A Comunidade das Nações, liderada pelo bispo J.B. Carvalho, é conhecida por suas controvérsias, incluindo a proposta de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Essa posição gerou especulações sobre a postura de Flávio, que negou tais rumores, enquanto Lula aproveitou a situação para intensificar sua campanha.