Flávio pode ter voto oculto e pesquisas de 2022 sugerem cautela

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Flávio Bolsonaro e Lula apresentam disputas acirradas nas pesquisas eleitorais a dois meses do primeiro turno.

A dois meses do primeiro turno, as pesquisas nacionais mais recentes indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) varia entre 30% e 38%, enquanto o presidente Lula (PT) oscila de 38% a 41%. Essa discrepância levanta a questão sobre a possibilidade de parte do eleitorado bolsonarista não estar sendo captada pelos levantamentos.

No contexto da eleição de 2022, diversas pesquisas realizadas às vésperas do primeiro turno subestimaram a votação de Jair Bolsonaro, que obteve 43,20% dos votos válidos. No entanto, isso não confirma a existência de um “voto escondido” em Flávio, nem sugere que seus eleitores estejam ocultando suas preferências.

Mesmo que Flávio consiga superar as estimativas atuais, essa diferença pode ser atribuída a mudanças de última hora, ao comparecimento às urnas, à recusa em participar de entrevistas ou a limitações nas amostras utilizadas pelos institutos. O histórico das eleições de 2022 recomenda cautela ao interpretar os números, mas não permite prever uma repetição exata dos resultados.

A diferença entre os dados das pesquisas e os resultados das urnas variou de 2,1 pontos na AtlasIntel a 8,2 pontos no Ipespe. No caso de Lula, cinco das seis pesquisas apontaram uma projeção superior aos 48,43% que ele realmente obteve.

Os levantamentos que foram divulgados antes do primeiro turno de 2022 apresentaram previsões de votação inferiores para o então presidente, que, em geral, foi subestimado em relação ao seu desempenho nas urnas.

Em contraste, cinco das seis pesquisas projetaram uma votação superior para Lula em comparação aos 48,43% que ele conquistou, indicando que a diferença real entre os candidatos foi menor do que a indicada pelos levantamentos.

Atualmente, Lula lidera quatro dos cinco levantamentos nacionais mais recentes. A pesquisa da Gerp mostra um empate técnico, com 38% para cada candidato. A BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, aponta Lula com 41% e Flávio com 37%, a menor diferença registrada até agora, enquanto em outros levantamentos a vantagem do petista varia de sete a 11 pontos.

Os levantamentos realizados entre 21 de julho e 3 de agosto refletem a posição dos candidatos em cenários estimulados de primeiro turno. É importante ressaltar que esses números incluem o total de entrevistados, abrangendo brancos, nulos e indecisos, o que dificulta a comparação direta com os dados de 2022, que estavam baseados em votos válidos.

A eleição de 2026 acontece em um contexto diferente, uma vez que, em 2022, Jair Bolsonaro buscava a reeleição e ocupava a Presidência, enquanto agora Lula detém essa visibilidade. Flávio herda a base política do pai, mas não necessariamente a mesma capacidade de mobilização, enquanto o ex-presidente enfrenta limitações em sua atuação eleitoral impostas pelo STF.

A pesquisa da BTG/Nexus também revela um eleitorado bastante definido, com 75% dos entrevistados afirmando que sua escolha já é definitiva. No entanto, debates, crises e variações no comparecimento podem impactar o cenário. A possibilidade de um “voto escondido” não é comprovada, e a cautela é necessária ao interpretar os resultados, sem garantir que o padrão de 2022 se repetirá.

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