Fotógrafo utiliza processamento de imagens para mapear a superfície lunar e desmentir boato sobre cores naturais da Lua
Imagens coloridas da Lua geram confusão nas redes sociais durante a missão Artemis II.
Recentemente, imagens vibrantes da Lua começaram a ser compartilhadas nas redes sociais, levantando questionamentos sobre a verdadeira aparência do nosso satélite natural.
Essas publicações, que se espalharam principalmente pelo X, TikTok e Instagram, afirmavam que os registros tinham sido feitos pelos astronautas durante o sobrevoo lunar.
No entanto, as imagens não são oficiais da NASA e foram divulgadas fora de contexto. Muitas delas foram, na verdade, captadas da Terra e passaram por edições digitais para ressaltar a presença de minerais na superfície lunar.
Imagens viralizadas não fazem parte da missão Artemis II
As publicações descreviam que as fotos foram registradas pela nave Orion durante o sobrevoo da Lua. As imagens mostram o satélite com tons de azul, rosa, roxo e laranja, além de detalhes em alta definição.
Apesar do apelo visual, nenhuma dessas imagens está presente nos registros oficiais divulgados pela NASA. A agência esclarece que todo o material da missão é publicado exclusivamente em seus canais institucionais.
Fotos foram feitas da Terra por astrofotógrafo independente
Parte das imagens que viralizaram foi produzida pelo astrofotógrafo ucraniano Ildar Ibatullin, que confirmou a autoria dos registros.
De acordo com Ibatullin, as fotos foram capturadas a partir da Terra com um telescópio GSO 150/750 e uma câmera Canon 550D. Ele enfatizou que as imagens não têm relação com a missão Artemis II.
O fotógrafo também explicou que o resultado final envolve a combinação de milhares de fotografias para reduzir ruídos e melhorar a qualidade da imagem, além de um processo de edição para aumentar a saturação e destacar diferenças de cor.
Edição revela composição química da superfície lunar
As cores exibidas nas imagens não representam exatamente o que seria visto a olho nu. Especialistas indicam que a Lua possui variações reais de cor, mas elas são muito sutis.
O processamento digital amplifica essas diferenças, criando o que especialistas chamam de “mapa químico visual” da superfície lunar.
Segundo pesquisadores, as regiões mais azuis indicam maior presença de titânio, enquanto os tons avermelhados estão ligados a óxidos de ferro, e as áreas mais claras possuem composição mineral diferente.
Entretanto, essas cores não são visíveis a olho nu. Por isso, ao observar o céu, é comum que a Lua pareça cinza ou levemente amarelada.
