Frango deve ter redução de preço no Sul após surto de Newcastle em Santa Catarina, segundo Itaú

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Preços do frango podem cair devido a restrições nas exportações após surto de doença aviar.

O mercado de frango enfrenta uma possível queda nos preços, especialmente no atacado, em decorrência da suspensão das exportações de Santa Catarina. Essa situação pode se intensificar no primeiro trimestre de 2027, quando a demanda doméstica tipicamente diminui.

Recentemente, a prévia da inflação de outubro revelou que o preço do frango em pedaços aumentou 0,71% em relação ao mês anterior. No entanto, ao longo de 12 meses, o preço acumulou uma queda de 4%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Doença de Newcastle, uma infecção viral que afeta aves, gerou preocupações no setor avícola. Embora a infecção em humanos seja rara e geralmente leve, a doença pode provocar problemas respiratórios e neurológicos em aves. Importante ressaltar que não há risco de transmissão da doença pelo consumo de carne de frango.

A suspensão das exportações de frango de Santa Catarina, que representa 63% da produção do estado, impactou diretamente o mercado. Países como China, Arábia Saudita, Chile e México decidiram interromper as importações, o que pode forçar os frigoríficos a direcionar a produção destinada ao exterior para o mercado interno.

Com a redução de destinos para a carne, é provável que a oferta aumente, especialmente na Região Sul, levando os frigoríficos a reduzir os preços para escoar o excedente.

Além disso, os frigoríficos podem enfrentar desafios como acúmulo de estoques, aumento nos custos de armazenamento e logística, além de pressão sobre o fluxo de caixa.

A entrada de mais frango no mercado interno coincide com um aumento na produção. De janeiro a setembro, o abate de aves cresceu 3,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a produção de carne aumentou 6,2%. As previsões indicam que a produção deve avançar cerca de 6% ao longo do ano.

Até o momento, esse aumento da produção não resultou em queda de preços, pois as exportações continuaram robustas, ajudando a manter a demanda aquecida e sustentando os preços.

Contudo, essa dinâmica pode mudar após o ano novo, com a expectativa de que a quantidade de frango disponível no mercado interno aumente, enquanto o consumo tende a diminuir após as festividades. Essa combinação pode resultar em uma queda nos preços, especialmente no atacado da Região Sul.

Entretanto, é importante notar que a redução de preços no atacado pode não se refletir diretamente nos supermercados, uma vez que os custos de processamento, transporte e comercialização também influenciam o preço final ao consumidor.

O impacto sobre os preços dependerá do tempo que levará para que os países retomem as compras do frango brasileiro.

Experiências anteriores, como as ocorridas em 2024 e 2025, mostram que o impacto das restrições nas exportações pode variar. O atual episódio deve ter um efeito concentrado em Santa Catarina e na Região Sul, segundo análises do setor.

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