Fundo Amazônia investe R$ 147,6 milhões em sistema de monitoramento do Inpe
Fundo Amazônia investe em ferramentas de monitoramento para proteger a vegetação nativa brasileira.
O Fundo Amazônia anunciou a destinação de R$ 147,6 milhões ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para o desenvolvimento do Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas). Este projeto visa utilizar inteligência artificial para aprimorar o monitoramento do desmatamento, tornando-o mais ágil e detalhado.
A aprovação do financiamento foi realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em colaboração com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O recurso é não reembolsável e o prazo para execução do projeto é de 60 meses, com a responsabilidade técnica sendo do Inpe, através da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate).
Recentemente, novos dados de desmatamento divulgados pelo Inpe indicaram uma redução significativa na Amazônia. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a taxa de desmatamento caiu 41,8%, alcançando 3.335 km², o menor índice desde 1988. No Cerrado, a redução foi de 23,8%, com a taxa caindo para 5.516,69 km², também um recorde histórico.
Integração do Prodes e do Deter
Uma das inovações que o SIM-Biomas trará é a integração do Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia (Prodes) com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). O Prodes fornece dados sobre a perda de vegetação nativa, enquanto o Deter emite alertas quase em tempo real para auxiliar na fiscalização.
Com a automação na análise de imagens e a aplicação de inteligência artificial, o projeto pretende unir a precisão do Prodes à rapidez do Deter. Além disso, a automação da detecção de alertas e a criação de um sistema que aumente a frequência de geração de dados do Prodes estão entre as metas do projeto.
O SIM-Biomas também expandirá o Deter para os biomas Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, além do monitoramento já realizado na Amazônia, Cerrado e Pantanal.
Resolução de áreas queimadas
Outra melhoria prevista é a precisão no mapeamento de áreas afetadas por queimadas. Atualmente, o monitoramento nacional opera com uma resolução de um quilômetro, mas a nova metodologia, que utilizará inteligência artificial, permitirá mapear as cicatrizes de queimadas com uma resolução de 30 metros em todos os biomas brasileiros.
O projeto também se propõe a criar mapas sistemáticos de áreas queimadas e séries históricas com a nova metodologia.
Antecipação de riscos e medição de gases
O SIM-Biomas incluirá um Subsistema de Inteligência Territorial, que combinará dados sobre desmatamento e degradação com informações socioeconômicas e climáticas. Técnicas de machine learning e deep learning serão aplicadas para gerar indicadores de risco de desmatamento e degradação a curto prazo, organizados por regiões específicas.
Além disso, o projeto buscará aprimorar a medição das emissões de gases de efeito estufa na Amazônia, com sobrevoos programados para coletar amostras atmosféricas e medir a concentração de gases como CO₂, CH₄, N₂O e CO. Os dados coletados ajudarão a reduzir incertezas e melhorar o cálculo do balanço de emissões, contribuindo para relatórios do Acordo de Paris.
Plataforma pública TerraBrasilis++
Os dados gerados pelo projeto serão consolidados em uma nova plataforma pública, chamada TerraBrasilis++. Esta plataforma permitirá a visualização integrada de mapas, gráficos, indicadores e alertas, além de oferecer uma sala de situação para monitorar indicadores e riscos, bem como uma sala de cenários para analisar diferentes trajetórias dos biomas brasileiros.
O presidente do BNDES destacou que o Fundo Amazônia é crucial para aprimorar a estrutura de monitoramento no país, aumentando a precisão e a capacidade de antecipar riscos relacionados ao desmatamento e incêndios florestais.
A diretora socioambiental do BNDES ressaltou que a combinação de inteligência artificial e indicadores de risco permitirá um monitoramento mais eficaz dos biomas