Futuro da tecnologia depende de base analítica construída há décadas, afirma SAS sobre a evolução da IA
A SAS destaca a continuidade da inteligência analítica em meio à revolução da inteligência artificial.
A inteligência artificial (IA) tem se tornado um tema central nas estratégias corporativas, mas para a SAS, essa tecnologia representa uma continuidade de sua trajetória de 50 anos em inteligência analítica, conforme explica André Novo, country manager da empresa no Brasil.
Esse posicionamento é crucial em um momento em que o mercado busca acelerar a adoção de IA generativa e agentes de IA. Novo ressalta que o verdadeiro desafio não está apenas em acessar a tecnologia, mas em implementá-la de forma eficaz, com governança e resultados claros.
Recentemente, durante uma conversa com executivos do setor financeiro, ficou evidente que, apesar do interesse em agentes de IA, poucos estavam com iniciativas em escala. Isso demonstra que, embora muitos estejam avaliando a tecnologia, a implementação efetiva ainda é um desafio significativo.
A situação atual indica uma mudança de foco, priorizando a confiabilidade em detrimento da capacidade técnica. Novo destaca que a evolução da IA traz à tona questões antigas sobre o controle de dados, modelos e decisões automatizadas, enfatizando que a entrega de resultados confiáveis é primordial.
Para enfrentar esses desafios, a estratégia do SAS envolve a integração de modelos, agentes de IA e dados em um ambiente que possibilite a avaliação contínua de desempenho e riscos. Essa abordagem visa aumentar a visibilidade sobre como as decisões são tomadas, um dos principais obstáculos à adoção de IA nas empresas.
Antes da IA, o básico
Apesar da pressão para adotar IA, Novo alerta para a necessidade de as empresas explorarem melhor o potencial da tecnologia analítica existente. Muitas organizações buscam investir em IA sem antes modernizar suas plataformas ou extrair valor das soluções já disponíveis.
Ele observa que, em muitos casos, é possível alcançar ganhos significativos com investimentos menores, sem necessariamente recorrer à IA, o que demonstra que o mercado ainda apresenta diferentes níveis de maturidade tecnológica.
Dados sintéticos e computação quântica entram em pauta
Os dados sintéticos estão se consolidando como uma camada importante na evolução da IA. Essa tecnologia permite a criação de bases de dados que mantêm o comportamento estatístico dos dados reais, sem replicar informações sensíveis, o que minimiza riscos regulatórios e aumenta a capacidade de treinamento de modelos.
O uso de dados sintéticos é especialmente observado no setor financeiro, onde a necessidade de escalabilidade e conformidade impulsiona a adoção dessa abordagem inovadora.
Em um horizonte de médio prazo, a computação quântica surge como um tema relevante, embora ainda distante da aplicação prática. Apesar dos investimentos, a viabilidade econômica dessa tecnologia permanece uma questão em aberto.
Nos próximos anos, espera-se que as empresas continuem focadas em IA e dados, enquanto a computação quântica se mantém em fase de pesquisa e experimentação.
Estratégia do SAS Brasil
No contexto brasileiro, a recomendação de Novo é que as empresas se concentrem mais na colaboração com desenvolvedores de tecnologia do que na criação de soluções próprias. A formação de pessoas e a capacidade de aplicar tecnologia ao negócio, em parceria com fornecedores e ecossistemas, são essenciais.
Ele enfatiza que o cliente final não deve desenvolver soluções, mas sim compreender como utilizá-las efetivamente. Essa abordagem se reflete no crescimento de plataformas low-code e no-code, que diminuem a dependência de especialistas técnicos e aproximam a criação de soluções do próprio negócio.
Ao celebrar cinco décadas de atuação, a SAS reafirma que a inteligência artificial não substitui a analítica. O verdadeiro diferencial reside em transformar tecnologia em decisões, algo em que a empresa continua investindo.
Recentemente, a SAS reorganizou suas operações por setor, aumentando a especialização das equipes e a colaboração entre regiões. Atualmente, os principais focos da empresa no Brasil são serviços financeiros e setor público, que historicamente lideram os investimentos em tecnologia.
Com o aumento do uso de tecnologias como reconhecimento facial e análise de dados em larga escala, o setor público deve ganhar destaque nos próximos anos, segundo Novo.
