Futuro do trabalho demanda nova abordagem para descrição de cargos e funções na era da IA
A transformação das descrições de cargo sob a influência da inteligência artificial.
A descrição de cargo, um dos pilares da organização do trabalho, enfrenta desafios significativos devido à rápida evolução da inteligência artificial (IA). Diversos estudos indicam que o modelo atual não está acompanhando as mudanças tecnológicas que afetam o mercado de trabalho.
Bruno Pinheiro, diretor executivo da Groovia, consultoria focada em implementação de IA, destaca que a transição já começou. Ele afirma que, em breve, o papel dos líderes será mais sobre orquestrar pessoas e agentes do que seguir planos rígidos, refletindo a necessidade de adaptação às novas dinâmicas de trabalho.
Um dado importante a ser considerado é que o relatório Future of Jobs 2025 projeta que cerca de 39% das competências exigidas dos profissionais mudarão até 2030. Isso significa que a descrição de cargos elaborada hoje pode rapidamente se tornar obsoleta.
Além disso, uma pesquisa realizada pela Deloitte revelou que 63% das atividades nas empresas já ocorrem fora das descrições formais de cargo. A tecnologia não apenas acelera essa mudança, mas também impõe o desafio de redefinir papéis e responsabilidades em um ambiente onde humanos e agentes de IA colaboram.
O Work Trend Index 2025, elaborado pela Microsoft em parceria com o LinkedIn, aponta que 82% dos líderes pretendem integrar trabalhadores digitais em suas equipes nos próximos meses. Atualmente, 46% das organizações já utilizam agentes para automatizar processos inteiros, o que altera a forma como as funções são definidas, focando mais nas habilidades necessárias para gerenciar essas tecnologias do que em listas de tarefas tradicionais.
Outro aspecto crítico é a governança da IA nas empresas. O relatório AI Workforce Brasil, de pesquisadores da Stanford Graduate School of Business, evidencia que a adoção de tecnologia avança rapidamente em nível individual, mas as iniciativas corporativas ainda estão em atraso. A falta de um responsável formal pela agenda de IA resulta em decisões tomadas por executivos que não possuem o conhecimento adequado, levando a implementações ineficazes.
A falta de preparo nas lideranças é um dos principais problemas identificados. Muitos executivos que tomam decisões sobre a reestruturação de cargos não têm experiência prática com a tecnologia, o que pode resultar em escolhas inadequadas sobre quais funções devem ser mantidas ou eliminadas.
Esse cenário impacta diretamente as operações. Estima-se que cerca de 60% das tarefas atribuídas a agentes de IA retornam com erros, fazendo com que os profissionais tenham que revisar o trabalho da máquina, além de suas próprias responsabilidades.
Para Pinheiro, o futuro das descrições de cargo deve se concentrar em resultados esperados, habilidades necessárias e responsabilidades, definindo claramente os limites entre o que o profissional executa, decide ou delega a agentes de IA.
A transformação requer um processo estruturado que comece pela cultura organizacional e pelo desenvolvimento das lideranças, seguido pela reorganização de processos e papéis, e finalmente pela governança e tecnologia. Ignorar essas etapas pode resultar em projetos sem retorno e sobrecarga nas equipes em um curto espaço de tempo.
