Gatos demonstram comportamento semelhante a líquidos, revela estudo científico através da física
Gatos se comportam como líquidos, revelando segredos da física e da etologia.
Você já notou como um gato consegue se acomodar em espaços aparentemente impossíveis, como um vaso de vidro ou uma caixa de papelão? Essa habilidade fascinante não é apenas uma curiosidade para os amantes de felinos, mas também um tema intrigante para a ciência. A física estuda como esses animais podem se comportar como fluidos, utilizando conceitos de reologia e consciência corporal para explicar esse fenômeno.
Um estudo notável sobre esse assunto foi realizado por um físico que aplicou os princípios da reologia — a área da física que investiga como a matéria flui e se deforma — para analisar o comportamento dos gatos. Ele observou que, ao se adaptar a diferentes formatos de recipientes, os felinos podem ser classificados como líquidos sob certas condições.
Segundo a definição clássica, um líquido assume a forma do recipiente enquanto mantém seu volume constante. Ao observar como os gatos se ajustam a jarras, pias e caixas, o pesquisador concluiu que, em situações específicas, eles realmente podem ser considerados líquidos.
O segredo está no tempo de relaxação
Para fundamentar sua tese, que lhe rendeu um prêmio em 2017, o pesquisador utilizou o chamado Número de Deborah. Esse número é a razão entre o “tempo de relaxação” — o período que um gato leva para se adaptar ao formato do recipiente — e o “tempo de observação”.
- Quando o tempo de observação é curto, como durante um salto ou corrida, o gato age como um sólido.
- Em um período mais longo, como ao entrar em uma tigela e descansar, ele flui e assume a forma do objeto, comportando-se como um líquido.
O físico notou que gatos mais velhos tendem a ter um tempo de relaxação menor, permitindo que se tornem “líquidos” mais facilmente do que filhotes agitados. Ele até sugeriu que, em ambientes extremamente confortáveis, o tempo de relaxação poderia ser tão baixo que os gatos alcançariam um “estado gasoso”, expandindo-se para ocupar todo o espaço disponível.
Consciência corporal: líquidos apenas em uma dimensão?
Além da física, a etologia, que estuda o comportamento animal, trouxe novas informações. Um estudo recente testou se os gatos têm consciência do próprio tamanho ao atravessar aberturas estreitas.
Os testes revelaram um comportamento interessante: quando a abertura era alta, mas estreita lateralmente, os gatos se espremiam sem hesitar, confiando em sua anatomia flexível e agindo como um fluido. No entanto, quando a abertura era larga, mas baixa, os gatos paravam e hesitavam. Isso sugere que, embora consigam se comportar como líquidos em frestas verticais, eles mantêm uma consciência corporal aguçada sobre sua altura, possivelmente para proteger sua coluna e órgãos superiores.
