Gilmar critica julgamento no STF e o compara a ladrão de galinhas
Ministro Gilmar Mendes critica condução de processos no STF com analogia inusitada.
Durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes fez uma analogia sobre a condução dos processos relacionados ao caso Master, comparando-a a um ladrão que admite ter realizado um “serviço mal feito” após ser pego em flagrante.
A declaração surgiu em meio às discussões sobre a tramitação de processos que envolvem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Mendes defendeu que as investigações sejam analisadas de forma conjunta, citando a falta de clareza sobre os objetos das apurações.
“É o que se percebe disso tudo. Nós estamos vivenciando uma realidade de serviço muito mal feito, que inspira cuidado.”
Gilmar Mendes recordou uma história contada pelo ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, sobre um homem que, por engano, entrou na casa de um delegado no Recife e caiu em um galinheiro. Ao ser questionado pelo delegado sobre o que fazia ali, o homem respondeu: “Serviço mal feito, doutor, desculpe”.
A tensão no STF aumentou com decisões e investigações ligadas ao caso Banco Master, especialmente após o ministro André Mendonça ter retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que supostamente continha contatos entre Moraes e um terceiro envolvido.
Em 3 de setembro, Moraes apresentou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma comunicação com acusações contra Mendonça, alegando que este teria ultrapassado os limites de sua relatoria ao direcionar investigações e incluir alvos como o próprio Moraes e o presidente do Senado.
O conflito se intensificou quando Mendonça determinou o afastamento da cúpula da Polícia Federal, decisões que foram posteriormente questionadas pela Procuradoria-Geral da República e por outros ministros.
Fachin interveio, afirmando que a coexistência de procedimentos sob diferentes relatorias criava um “risco concreto de decisões contraditórias”. Ele centralizou as informações relacionadas aos casos e suspendeu liminares conflitantes, destacando a necessidade de evitar tumultos processuais.
Uma sessão extraordinária foi convocada para analisar o pedido da PGR pela nulidade do relatório, e Fachin revogou a designação de Moraes para conduzir o inquérito das fake news.
A discussão se intensificou ainda mais com o pedido de Fachin para a retirada do sigilo do inquérito sob relatoria de Mendonça, que foi acatado. Moraes, por sua vez, enviou um ofício para solicitar a divulgação de documentos que haviam sido suprimidos.
O clima de tensão se agravou, com Mendes criticando a condução de Mendonça, afirmando que os ministros estavam recebendo apenas “recortes de diálogos selecionados”, o que limitava sua capacidade de julgamento.
Mendonça se opôs à medida de abrir o celular de um terceiro envolvido, alegando que isso poderia tumultuar o julgamento, enquanto Moraes destacou a necessidade de disponibilizar todas as peças relevantes antes da votação.
O presidente da Corte, Fachin, determinou a quebra de sigilo solicitada por Moraes, que foi prontamente acatada, sinalizando a continuidade das tensões e disputas internas no STF.
