Globo buscou controlar narrativa de Bolsonaro em 2018, afirma biógrafo da emissora
Ernesto Rodrigues analisa a cobertura da TV Globo durante a campanha de 2018.
O escritor e jornalista Ernesto Rodrigues critica a abordagem da TV Globo em relação ao então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018.
Em seu livro “A Globo: Metamorfose”, lançado recentemente, Rodrigues narra os bastidores da cobertura da emissora, destacando que a Globo tentou “enquadrar” Bolsonaro em entrevistas e debates. No entanto, segundo ele, o candidato não se deixou levar pelas tentativas de condução dos jornalistas.
Ernesto afirma que, apesar das estratégias da emissora, Bolsonaro “não tinha nada a perder” e conseguiu transmitir suas mensagens, desafiando a Globo ao longo de sua participação na campanha.
O jornalista menciona que Fernando Haddad, seu adversário na disputa, foi “massacrado” pela postura assertiva de Bolsonaro. Ele observa que o petista frequentemente se via incapaz de responder e era interrompido durante as entrevistas.
Rodrigues ressalta que, nesse cenário, a emissora precisou reconsiderar sua abordagem na cobertura eleitoral. Ele argumenta que ficou evidente que o sistema de condução, que havia funcionado em eleições anteriores, tornou-se controverso devido à capacidade de Bolsonaro de escapar do controle da mídia.
O livro “A Globo: Metamorfose” é o último de uma trilogia que abrange a história da emissora de 1999 a 2025. Nos volumes anteriores, o autor analisou as transformações da Globo entre 1965 e 1998.
Ernesto Rodrigues possui uma vasta experiência no jornalismo, tendo atuado em importantes veículos de comunicação e na TV Globo, onde trabalhou como editor e executivo de telejornais. Sua obra inclui títulos relevantes que discutem a trajetória do jornalismo brasileiro na televisão e na internet.
