GMC que desembarcou na Normandia há 82 anos ainda circula pelo País Basco
Um GMC da Segunda Guerra Mundial continua sua jornada pelo País Basco.
No verão de 1944, o desembarque dos soldados americanos nas praias da Normandia marcou um dos momentos mais significativos da história. Durante esse evento, uma vasta frota de caminhões GMC desempenhou um papel crucial, transportando combustível, munição, alimentos e tropas para o front de batalha.
Mais de oitenta anos depois, um desses imponentes caminhões ainda está em circulação, mas não nas terras francesas ou americanas. Ele agora percorre as estradas do País Basco.
O responsável por essa relíquia é Abel Laka, residente de Markina-Xemein, na Biscaia. Ele preserva um GMC militar da Segunda Guerra Mundial, que se tornou uma atração por onde passa. O veículo, que pertenceu ao exército americano, fez parte da logística que permitiu aos Aliados avançar pela Europa durante o conflito.
“Quando dou a partida e saio para a estrada, as pessoas param para olhar”, compartilha Abel. E não é para menos: com sua grande carroceria verde-oliva e a icônica estrela branca pintada nas laterais, o caminhão atrai a atenção de todos.
O modelo em questão é um GMC CCKW 353, carinhosamente conhecido como “Jimmy”. Este caminhão foi uma peça fundamental da maquinaria militar americana durante a Segunda Guerra Mundial.
Esses veículos eram os protagonistas de uma operação silenciosa, responsável por transportar suprimentos, combustíveis, munições e peças de reposição. Após o desembarque na Normandia, milhares deles percorreram a França, abastecendo as forças aliadas em seu avanço em direção à Alemanha.
Fabricado pela General Motors, o GMC CCKW 353 era equipado com um motor de seis cilindros e 4,4 litros, que produzia pouco mais de 100 cv de potência. Essa potência era suficiente para carregar até duas toneladas e meia de carga, mesmo em estradas lamacentas ou em pistas danificadas. Entre 1941 e 1945, mais de meio milhão de unidades foram produzidas devido à sua eficiência e robustez.
Após o fim da guerra, muitos desses caminhões foram desmontados, outros vendidos a civis, e alguns poucos sobreviveram, mantendo viva uma rica história, como é o caso do caminhão de Abel. É curioso pensar que um desses sobreviventes esteja agora a mais de mil quilômetros das praias onde uma das mais importantes narrativas da história contemporânea se desenrolou.
Manter um veículo com mais de 80 anos em funcionamento não é uma tarefa simples. Abel reconhece que encontrar peças e realizar reparos exige dedicação constante: “É como dirigir um pedaço da história”, afirma com orgulho, apesar das dificuldades que enfrenta.